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Julgas que me conheces?

Julgas que me conheces? Pensas que sabes exactamente quem eu sou? Pensas assim, só porque um dia me olhaste e estava com pouca roupa?

Talvez tenha sido, num daqueles dias quentes em que os corpos sentem mais calor e dispensam algumas peças de roupa. Pode ter sido, numa tarde de Verão em que eu tenha resolvido ir até à praia.

Quem sabe, se não foste tu que ficaste escondido numa qualquer duna só para me poderes ver em bikini, enquanto eu estava estendida a emprestar o meu corpo ao culto do sol. E tu, silenciosamente ficaste a olhar-me, julgando, por essa razão, que me conheces.

Sim, tu num desses dias ensolarados, talvez tenhas visto alguns centímetros do meu corpo a descoberto, e ficaste a imaginar como seria o resto.

Fizeste o teu julgamento sobre quem eu sou, apenas pelo que estava ali visível. Talvez até me tenhas desenhado a alma à dimensão do corpo.

O que tu não sabes, é que a minha alma não é desse tamanho. Que o meu coração não é da cor dos meus olhos, aqueles que tu viste apenas ao longe.

Por isso, tenho a certeza de que se te perguntar de que cor são os meus olhos não vais saber responder, talvez ensaies um sorriso para disfarçar o teu nervosismo.

E, se mesmo assim, continuares a afirmar que me conheces, eu vou ter que te lançar um desafio. Vou ter que te perguntar de que cor são os meus sonhos e a que sabem os meus sentimentos.

Terei que questionar-te sobre o que procuro, quando ando por ai sem rumo, para além dos trilhos da vida. E já agora, pedir-te que me diga o que o destino me reserva.

Se fores capaz de responder a tudo isto, no final vou pedir-te ainda para que fales um pouco sobre o meu sorriso.

Quero ver se descobres quais são as coisas, que de tão simples, me fazem sorrir e se és capaz de adivinhar um a um todos os meus segredos, aqueles que guardo só para mim. Os segredos que guardo para além deste corpo, que sem saber te deixei ver. Tudo isto porque, para me conheceres é preciso bem mais do que olhares para o meu corpo.

Para me conheceres é preciso descodificares o meu olhar e traduzires o idioma da minha alma. É preciso entrares no meu coração e encontrares um dos recantos redondos onde guardo os que me tocam na essência de quem eu sou. É preciso que dances o bailado do meu sentir e prometas que jamais me irás mentir.

Para me conheceres é preciso tudo, apesar de que só o nada me entende. É preciso que não te alies à razão, mas, sim, que me abraçasses com emoção.

Depois de tudo isso será que continuas a dizer que me conheces ou terás percebido que não sabes nem pouco que seja sobre mim?

Viste o corpo e não espreitaste para a alma, assim jamais saberás quem eu sou.

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