Crónicas

Heróis

Eu tenho a sorte de estar rodeada de heróis e heroínas. Pessoas que andam para a frente, independentemente das contrariedades da vida e desenvolvem uma maneira de estar positiva.

Algumas pessoas sofrem horrores com dores e, mesmo assim, conseguem ter um sorriso impresso no rosto que apenas é desmascarado por um franzir de expressão aqui e ali, à conta das malfadadas, impiedosas e traiçoeiras, que se fazem sentir a toda a hora.

Essas pessoas é que, juntamente com aquelas que trazem no peito um peso enorme de perdas e desgostos e que, mesmo assim, conseguem ter fé por um amanhã melhor, são os meus heróis e heroínas.

Contudo, também conheço outro tipo de heróis: aqueles que se levantam de madrugada e trabalham duro a troco de muito pouco, para manterem as suas famílias com o mínimo de dignidade. São aqueles que, muitas vezes, saem de um trabalho e entram noutro e trabalham de sol a sol para contar cêntimos e fazê-los esticar ao máximo para que não faltem coisas básicas àqueles que têm a seu cargo. Esses também são heróis.

Ou aqueles que, mesmo dormindo ao relento, porque de alguma forma perderam tudo, não perderam a capacidade de repartir e partilhar.

São aqueles a quem nem o frio, nem a fome, lhes quebra o coração de ouro que trazem dentro do peito.

Há outros heróis ainda que, sabendo ter doenças sem cura ou mesmo fatais, continuam a viver como se o amanhã não fosse negro e continuam a espalhar luz e esperança pelos outros.

São heróis as crianças que sobrevivem a cada vez mais exigências, a cada vez mais incertezas de um futuro que lhes rouba a infância e que não lhes promete absolutamente nada.

Estes são alguns dos heróis que me rodeiam.

Uns de quem conheço a história, outros dos quais nunca ouvi falar, mas que se cruzam diariamente comigo, andam por aí.

Há tantos outros.

Uns reconhecidos pela sociedade, como os bombeiros, os policias, os médicos, cientistas, sei lá…

Outros nem tanto, como professores, funcionários públicos, funcionários fabris, etc, etc. Tantos, mas tantos heróis que passam provações, contrariedades, arriscam a vida, a integridade física e/ou psicológica e continuam.

Continuam, dia após dia, a dar o seu melhor, a dar do seu suor e sangue por eles ou outros. E conseguem sorrir. E conseguem, mesmo assim, discutir futebol ou “politiquices”, conseguem andar para a frente e fazer parecer tudo natural e fácil.

Há uma enorme quantidade de heróis, sem capa ou espada, que espelham a vida como ela é: maravilhosa e cruel.

Ana Marta

Uma alma estranhamente comum que divaga pelos assuntos do quotidiano, aliando gosto pela escrita à mania de "dizer coisas".

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