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Crónicas

A Carpideira de Facebook

Deparamo-nos hoje com um novo fenómeno social: A Carpideira do Facebook.

Para quem não sabe, a Carpideira existe há mais de 2000 anos, é uma profissional do sexo feminino, cuja função consiste em chorar por um defunto que lhe é completamente desconhecido, pelo qual não nutre qualquer sentimento, empatia e/ou sem qualquer grau de parentesco.

Contudo, a Carpideira moderna, a de Facebook, chora pelos seus próprios males, embora não passem de lágrimas de crocodilo.

O mais curioso de observar neste fenómeno do séc. XXI é que esta Carpideira, em grande medida, lamenta-se e acusa indiretamente uma série de pessoas de coisas que ela própria faz.

Neste jogo de vitimização, a Carpideira de Facebook, completamente consciente das suas falhas, aponta-as ao vizinho com objectivos muito bem definidos, o de difamar.

E como podemos identificar uma Carpideira?

Podemos começar por analisar alguns pontos que nos ajudem nessa identificação, a saber:

– Agressão: Como sabemos, a melhor defesa é o ataque e qualquer agressor acusa os outros como forma de se defender. Portanto quem está a falar dos outros, um dia falará de si, quem está em guerra com o mundo, um dia estará em guerra também consigo que me lê.

– Vitimização: Essa vitimização pública cria uma onda de indignação, que gera comentários e gostos no Facebook e, dessa forma, a pessoa pode também promover-se. A pessoa finge ser uma vítima, uma coitada nas mãos de alguém quando, na realidade, é um agressor sem freio, violento e repugnante na sua relação particular com os outros.

– Linchamento popular: como sabemos o povo não é dado a pensar. Quando aparece alguém mostrando-se vítima, as pessoas agregam-se a ela e insultam violentamente o inocente da história, ainda que não lhe conheçam o nome, ainda que cometam uma série de injustiças.

– Mentira: normalmente são inventadas mentiras sobre as pessoas agredidas e essas mesmas pessoas são acusadas de fazerem coisas hediondas. Coisas essas que a pessoa nunca fez, que foram realizadas pelo agressor e que depois as vira contra as suas vítimas como forma de criar agregação social a seu favor e contra outrem.

– Sociopatia: A pessoa sociopata não tem qualquer tipo de valores morais e tem uma enorme capacidade para simular sentimentos, para chorar perante outras pessoas como forma de poder dominá-las. No entanto devemos estar alerta. Pessoas que têm este tipo de comportamento, normalmente estão sempre em guerra e com muita gente ao longo da sua vida. Portanto quando alguém está em guerra com meio mundo, o problema, provavelmente, não será do mundo.

– Esclarecimentos em particular: A Carpideira, por norma, acerca-se daqueles que lhe deram apoio e em particular cria invenções sobre determinadas pessoas, acerca do que nunca aconteceu, do que nunca foi feito nem dito, pois sabe que se o fizesse em público seria rapidamente desmascarada e, garanto-vos, se há coisa que uma Carpideira não prescinde é da uma boa e inocente máscara.

E o mais curioso é que a Carpideira moderna já não é apenas do sexo feminino como outrora.

Existem, hoje, imensas Carpideiras de Facebook do sexo masculino.

Importa, por isso, identificar estas pessoas. Quando assistimos a este tipo de abordagem por parte de alguém, não nos devemos manifestar contra ninguém, não devemos insultar ninguém e muito menos devemos alimentar este tipo de comportamento ou tomar partidos.

É fulcral que entendamos que, ao fazermos isso, estamos a proteger o agressor e a agredir a vítima.

No entanto, a Carpideira de Facebook veio para ficar e mais depressa teremos solução para resolver uma pandemia do que para resolver a tirania.

Balthasar Sete-Sóis

Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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