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Este é um mundo de homens ou de mulheres?

É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.

– Simone de Beauvoir

Por muito ideológicas e até poéticas que possam ser as vontades da maioria das mulheres destes tempos que vivemos, a verdade continua a ser apenas uma: subsistem imensas diferenças no universo do trabalho entre homens e mulheres. O estigma pode estar mais esbatido, mas o preconceito e a ideia pré feita das diferenças entre ambos, pela negativa no que respeita à mulher, manifestamente continuam a existir.

No âmbito das comemorações do Dia da Mulher do passado dia 8 de março de 2019, a Marktest apresentou o resultado de uma sondagem que procurou perceber o que pensam homens e mulheres sobre a questão de haver ou não igualdade de género no mercado de trabalho e assim quando colocada a questão “Considera que os homens e as mulheres têm acesso aos mesmos direitos na nossa sociedade?”, as opiniões dividiram-se entre 44.1% que considera que sim e 54.9% que diz não.

Outro documento que ajuda a perceber as questões da desigualdade de género no trabalho, é o último relatório do Banco Mundial, onde, por exemplo, se apura que apenas na Bélgica, França, Dinamarca, Letónia, Luxemburgo e Suécia se consagra a igualdade de género em termos de legislação laboral.

Este relatório estima a discriminação de género em 187 países, avaliando oito aspetos principais, entre eles a liberdade de circulação, a introdução no mercado de trabalho, as restrições salariais e a maternidade. Feita a avaliação global percebe-se que apenas seis países conseguiram alcançar a pontuação máxima, e Portugal não está entre os vencedores.

Na última década, nenhum dos países garantiu total igualdade de direitos no trabalho entre homens e mulheres. De referir que este relatório foi solicitado pela presidente interina do banco, Kristalina Georgieva, que substituiu Jim Yong Kim, como diretora executiva do Banco Mundial, esta líder defende a ideia de que “a igualdade de género é uma componente crítica do crescimento económico”.

Kristalina Georgieva acrescenta ainda que “as mulheres representam metade da população mundial e desempenham um forte papel no processo de criação de um mundo mais próspero, mas não terão sucesso se as leis as atrasarem”.

Em suma, tem que existir vontade política para fazer avançar esta questão e para que deixe em definitivo de ser um tema a discutir para passar a ser uma realidade, porque salvaguardadas as conhecidas distinções que existem entre homens e mulheres. Importa perceber que são seres iguais, apenas com formas de fazer e de pensar diferentes, mas para ambos, homens e mulheres, tem que ser contemplados os mesmos direitos e ser-lhes oferecidas as mesmas oportunidades.

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Ana Paula Marques

Assumo sem qualquer tipo de pudor o grande gosto que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra, construindo momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias. Verter palavras transformando-as em textos, são momentos de criatividade que me fazem mais feliz, e que espero, possa transformar de algum modo a vida de quem lê o que escrevo com tanto amor!

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