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Crónicas

Este artigo não é sobre futebol

Muito se tem falado do fenómeno do Sporting Clube de Portugal, nomeadamente, sobre o início deste ano de 2021, altura em que ficou mais alargada a vantagem pontual em relação aos seus principais adversários, no que respeita à liga portuguesa de futebol profissional.

Devo, contudo, fazer já uma declaração de intenções. Sou adepto do Sporting. Não sou sócio nem um fervoroso adepto. Sou apenas alguém que, gostando de um determinado clube, não agride nem pessoas nem outros clubes como forma de defender o seu.

Nesse âmbito, o que aqui for dito é em nome do que acredito e não em nome dessa doença chamada “clubite”.

Muitos se têm debruçado sobre o que fez com que um clube com uma equipa constituída, maioritariamente, por jovens jogadores, esteja num confortável primeiro lugar e com tão larga vantagem sobre os seus principais e históricos rivais.

Uns dirão que o milagre se deve à juventude, outros ao grande líder Rúben Amorim.

E a nenhuma das partes deve ser retirado o mérito.

O certo é que, à data em que vos escrevo este artigo (e nada do que aconteça de ora em diante mudará o que aconteceu até aqui), o Sporting Clube de Portugal é líder isolado e é a única equipa dos principais campeonatos europeus sem qualquer derrota na liga na presente temporada.

Se analisarmos as ligas mais ricas no velho continente vemos que o Atlético de Madrid, líder no campeonato espanhol, tem uma média de 2.5 pontos por jogo, tal como o Lille, líder da liga francesa.

Na Alemanha, o líder Bayern tem uma média de 2.3 pontos por jogo, tal como o Manchester City que é líder em Inglaterra.

Logo atrás vemos o Inter, líder da liga italiana com uma média de 2.27 pontos por jogo.

Ora, o Sporting, líder do campeonato português, apresenta uma média de 2.6 pontos por jogo, estando acima de dezenas de equipas milionárias.

E como justificar tal facto?

Bom, quanto a mim a culpa é da pandemia.

Concorde ou não, caro/a leitor/a, na minha opinião, a grande contratação do Sporting na presente temporada foi mesmo a ausência do décimo segundo jogador. Esse jogador (para quem não sabe, trata-se do público dos estádios) tem sido o que maior diferença tem feito.

Há muito que, infelizmente, uma das piores coisas de que o Sporting padece é o seu público. Jogue fora de Alvalade, ou dentro, chega a ser aterrador a forma como os adeptos leoninos insultam, pressionam e humilham a sua própria equipa. Para os adeptos deste centenário clube, tudo está mal e são, precisamente, os que se “vestem” de verde e branco os maiores inimigos do clube.

Em suma, o sucesso desportivo do Sporting pode estar mesmo alicerçado na falta de adeptos nos estádios e na ausência da pressão tremenda que estes exercem sobre a sua própria equipa.

Porém, não vos faltei à palavra. Como vos disse, este artigo não é sobre futebol. Pois, se o melhor do mundo são as crianças, o pior do mundo são mesmo as pessoas adultas. Elas podem extrair de nós o melhor ou tornarem-nos medíocres. Podem ajudar-nos a sair do buraco ou a enterrarmo-nos nele.

E enquanto existirem pessoas a pisarem os outros, com certeza que não haverá humanidade que se levante. Talvez esta seja a grande lição que o Sporting de 2021 tem para dar nos a todos.

“Mais vale só, do que mal acompanhado”.

Balthasar Sete-Sóis

Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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