fbpx
Bem-EstarLifestyle

Essa estranha coisa que se chama felicidade

Gostava de agarrar o tempo com as mãos. Aquele breve instante que, se morrêssemos naquele preciso momento, não importaria porque tudo fazia sentido. Morreríamos felizes.

Afirma-se que o tempo é feito de muitos instantes. Instantes que podem esmagar quando amargos, que fazem renascer quando se desvendam em lições, que nos explicam em porquês quando sentidos e inesperados.

Mas o tempo não se agarra só com as mãos. Agarra-se de peito aberto, de olhos sentidos e despertos, com a certeza profunda de que se o sentíssemos em totalidade, de tão intenso que é, talvez não houvesse certezas de o aguentarmos.

Que instante único é esse, que nos poderia fazer morrer sem culpa ou amargura? O que é que realmente queremos que não conseguimos agarrar? Que história é essa que nos prometeram de que podemos viver felizes para sempre?

Corremos atrás do tempo, sem tempo a perder, mas ele passa através de nós. Corremos para agarrar aquilo que achamos que é perfeito, que nos ensinaram desde sempre que é correcto e que criámos em mente, sem perceber que ao estarmos presentes, o próprio tempo encarrega-se de trazer o que é melhor. Mesmo, que nos pareça, como o pior de tudo.

Temos medo de não ter tempo e esquecemo-nos de o viver, apesar de ele estar a passar a correr.

Quando não o podemos viver, damos-lhe valor. Quando o temos de volta, voltamos a vivê-lo a correr.

Dizem-me, por vezes, que a minha felicidade não depende de agarrar o tempo com as mãos. Depende de lógicas, de noções pré-estabelecidas e de que viver feliz para sempre está no que socialmente é necessário ser incutido. Na mente do que cada um acredita ser socialmente correcto.

No entanto, a sociedade que conhecia, até então, está a ser agitada em tremores inesperados e está abalada. Também ela quer agarrar o tempo mas não está a conseguir. Está a ser reinventada e não sabe por onde se reinventar.

Acredito que vai conseguir. Sei que não será feliz para sempre A única forma de se ser feliz para sempre é perceber que reinventar-se e descobrir-se, dói. Arde. Magoa tanto que, por vezes, não há outra forma senão deixarmos-nos mesmo cair.

Temos de o fazer. Para depois levantar. Perceber o que é que nos poderia fazer felizes, hoje. Só por hoje. Só agora.

Eu queria agarrar o tempo com as mãos. Inspirar, deixar ir, deixar ficar e perceber que o tempo é livre e solto de preconceitos. Que há leveza nos olhares, nos gestos e em todas as outras mãos que vejo que, neste momento, não se conseguem agarrar a nada. Dizer-lhes, de mansinho, que é preciso calma. Ainda há tempo.

Carla Moreira

Fiz teatro e fui jogral de poesia há algumas luas. Ainda piso as tábuas, volta e meia, porque faz parte de mim, nem me vejo de outra maneira. Gosto muito de vários assuntos. De pessoas. De assuntos que envolvam pessoas. A paixão por livros e letras é tão grande que tenho de aprendê-las através das palavras.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Veja Também
Fechar
Botão Voltar ao Topo
%d bloggers like this:

Adblock Detectado

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.