fbpx
Cinema

Dois Papas

Nesta época de recolhimento e tão próxima da Páscoa, trago-vos uma sugestão de cinema caseiro, um filme que foi nomeado para um Óscar e que podem ver no Netflix. O filme, no seu original é o “The Two Popes”, inspirado em eventos reais e que é interpretado por Anthony Hopkins, desempenhando o papel do Papa emérito e Jonathan Pryce que interpreta o Papa em actuais funções, o Papa Francisco.

Crenças à parte, este é um filme que coloca frente a frente dois homens que, apesar de seguirem o mesmo Deus, têm ideias e objectivos muito diferentes. O que prova que, até na tão conceituada Igreja, Católica, Apostólica, Romana há espaço para mudanças (e ainda bem) pois, são mudanças há muito desejadas pelos crentes católicos que não se conseguem integrar em algumas intransigências desta religião.

Quem acompanha, mesmo por alto, a actualidade religiosa, sabe que o Papa Bento XVI representa o pensamento antigo, o pensamento fechado dos romanos que montaram um império à volta da religião que eles próprios – por altura do nascimento de Jesus Cristo e na altura do que agora chamamos a Páscoa – rejeitaram.  Por outro lado, temos  o Papa Francisco que representa as janelas que se abrem e que têm muito impacto como os católicos aceitam os outros e o mundo.

Só os Papas é que sabem o quão real é este filme, mas a ser verdade – mesmo que parcialmente – só veio confirmar o que eu e talvez a maioria das pessoas pensava de ambos. É muito interessante acompanhar o desenvolvimento das personagens e a amizade que nasce pela história que cada uma conta. A maneira como superaram as contrariedades que lhes foram colocadas deixam clara a visão que cada um tem da igreja e qual o papel que querem desempenhar.

Este filme demonstra que é necessário que uma destas visões recue para que outra possa avançar, assim, um deles tem que sair do seu alter-ego para compreender que a verdadeira humildade não é a submissão às regras e leis impostas pelos romanos há quase 2000 mil anos. É necessário compreender que a teoria, teologia e filosofia não valem por si só, não basta andar com discursos e frases feitas prontas a serem vomitadas, sem que se ame o próximo, sem que se proteja mesmo aquele que não se conhece.

A prática do bem é essencial, ser-se aquilo que se diz também. Ser-se honesto com os outros e connosco próprios é o que nos aproxima da nossa verdadeira essência, que certamente é divina porque fazemos todos partes do mesmo, mesmo que não tenhamos as mesmas crenças, convicções ou o mesmo Deus.

Em suma, o estar próximo das pessoas, o aceitar que é preciso haver mudanças para que se possa incluir e acolher todos independentemente da sua raça, sexualidade e estado civil é o mais importante pois, como temos vindo a perceber, a intolerância, egoísmo, ignorância e a estupidez humana é a razão pela qual se propagam os piores vírus que a Humanidade pode ter.

The Two Popes

Argumento - 88%
Interpretação - 92%
Fotografia - 89%
Produção - 91%

90%

90%

Uma amizade que nasce por cada retorno ao passado.

Andreia Ferreira

Sou inspirada pelo mundo. Tenho a forte crença que tudo acontece no momento certo, que o mestre aparece quando o aluno está preparado e que por detrás de cada contrariedade há sempre uma oportunidade para aprender alguma coisa. A sincronização do universo é das coisas que mais me fascina por isso, estejam atentos ao que o universo vos leva.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Back to top button
Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: