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Desdramatizar o drama

Quando temos problemas profissionais e a nossa vida pessoal está um caos, como é que somos capazes de amar? Como é possível amar, quando nos sentimos a perder?

Viver pressupõe que durante esse processo iremos enfrentar obstáculos e problemas, por muito que se tentem contornar, são inevitáveis. Umas vezes vamos perder o norte ou o suporte e noutras vamos sentir-nos bem, aconchegados e preenchidos com as escolhas que fizemos. Tudo isto faz parte da vida, os altos e os baixos.

É importante não descurar que estes momentos vão ocorrer quando crescemos, quando estudamos, na família, no emprego, nos relacionamentos, com amigos ou colegas, com os filhos, com as finanças enfim e nos mais variados contextos. Por muito difíceis e complexos que nos pareçam, vamos conseguir ultrapassá-los com maior ou menor esforço e da melhor ou pior maneira. Tudo isto mexe sem dúvida com as nossas fragilidades, com as nossas bases e fazem-nos questionar o nosso valor.

Por isso, quando o caos se instala sentimos que não somos capazes de amar, sentimos o chão a ceder e sentimo-nos a perder. Na verdade, não se trata de perdermos a capacidade de amar porque essa capacidade não se perde, é antes de mais um problema de valorização e de ego e nunca de falta de amor ou incapacidade para ele. Seja qual for o drama que estejamos a enfrentar na nossa vida, nunca perdemos a capacidade de amar.

Não deixamos de conseguir amar, porque isso é inato em nós. Podemos não estar a percecionar isso no imediato porque o sofrimento filtra-nos essa capacidade, podemos até sentir que não conseguimos amar os outros e até a nós próprios, podemos até achar que não conseguimos sentir amor pelas coisas que são importantes para nós, no entanto o amor que sentimos por nós e pela vida nunca cessa. Fica momentaneamente em stand-by porque nos deixamos contagiar pelo medo e a pela incerteza.

Tudo isto é normal, acontece para valorizarmos o que conquistamos. Só apreciamos o que conquistamos ando sentimos que perdemos tudo ou quase tudo, infelizmente o ser humano aprende com maior facilidade neste registo. A alegria e a felicidade turvam-nos essa capacidade pelo êxtase, ficamos protegidos por uma euforia que parece não ter fim e que nos torna quase imortais e inatingíveis a qualquer desgraça.

Respirar fundo, aceitar. É assim, passa.

Não devemos dramatizar nem sobrevalorizar, e não devemos ao mesmo tempo desvalorizar ou negar o que estamos a viver nada se resolve enfiando a cabeça dentro da areia.  O que conseguimos resolver no imediato é ter a coragem de fazê-lo o resto irá resolver-se aos poucos e dentro das possibilidades. Tudo tem uma ordem e um momento e nada, mas absolutamente nada fica sem resolução.

Com amor por nós e por tudo o que nos rodeia fica mais fácil, não devemos esquecer isso.

Photo by Mandy von Stahl on Unsplash
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Sofia Cortez

Sofia Cortez (1978, Lisboa) marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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