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As vantagens históricas do capitalismo sobre o comunismo

O século XXI é o século da inovação, da modernização tecnológica e da era digital. É o século onde tudo aquilo que era impensável nos séculos anteriores se tornou hoje realidade. Hoje é possível ver filmes em Ultra HD em enormes LCD, contactar pessoas do outro lado do mundo através das redes sociais, fazer vídeochamadas, ou ter um sofisticado sistema de GPS num automóvel particular, que permite saber a localização dos lugares para onde queremos ir. Temos um sofisticado sistema de transportes que nos permite chegar a lugares longínquos em poucas horas. Podemos escolher o restaurante onde queremos jantar, porque há um amplo leque de opções, mas o que esteve na origem de toda esta expansão e evolução vertiginosas?

Não há dúvida que foi a liberdade criativa de várias mentes geniais apoiadas por vários empreendedores que detinham o poder financeiro para concretizar e materializar essas ideias. Qual o sistema económico que permitiu tudo isto? Não há dúvida que foi o Capitalismo.

O Capitalismo é um sistema económico baseado na propriedade privada dos meios de produção e da sua operação com fins lucrativos.  As características centrais deste sistema incluem, além da propriedade privada, a acumulação de capital, o trabalho assalariado, a troca voluntária, um sistema de preços e mercados competitivos. Numa economia de mercado, a tomada de decisão e o investimento são determinados pelos proprietários dos fatores de produção nos mercados financeiros e de capitais, enquanto os preços e a distribuição de bens são principalmente determinados pela concorrência no mercado.

Adam Smith foi o pai da economia moderna e é considerado o mais importante teórico do liberalismo económico. Foi autor de uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações, a sua obra mais conhecida, na qual procurou demonstrar que a riqueza das nações resultava da atuação de indivíduos que, movidos apenas pelo seu próprio interesse (self-interest), promoviam o crescimento económico e a inovação tecnológica.

O autor demonstrou bem o seu pensamento ao afirmar que “não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas, sim, do empenho deles em promover o seu auto-interesse”. Assim sendo, acreditava que a iniciativa privada deveria agir livremente, com pouca ou nenhuma intervenção governamental, sendo defensor do free banking (sistema bancário livre). A competição livre entre os diversos fornecedores levaria não só à queda do preço das mercadorias, mas também a constantes inovações tecnológicas, barateando o custo de produção para vencer os mercados concorrentes.

Para Adam Smith, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse (self-interest), é levado por uma “mão invisível” a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade.” Como resultado da actuação dessa “mão invisível”, o preço das mercadorias deveria descer e os salários deveriam subir.

A esta visão contrapunha-se a economia planificada da URSS na era Estalinista. O Estado controlava a produção, restringindo a iniciativa privada. Como consequência, o país não se desenvolveu como se deveria desenvolver, os salários eram baixos e o poder de compra dos cidadãos era ainda mais baixo. A política económica de Estaline acabou por contradizer os ideais comunistas que defendiam, ancorados nos princípios de Karl Marx, a igualdade de classes e o fim da opressão do proletariado pela Burguesia capitalista. Contudo, como é que uma sociedade pode ser igualitária e justa, se as mentes criativas não podem colocar os seus talentos ao serviço da sociedade, onde não há liberdade de escolha, inovação e capacidade de gerar oportunidades de desenvolvimento do próprio país e onde os cidadãos não tem poder de compra para fazer mover a economia desse país?

A economia planificada acabou por ser o pecado capital dos países comunistas.

Sobre o capitalismo vou ser claro: não sou contra o capitalismo, mas sou contra o capitalismo selvagem e contra as restrições do Estado à iniciativa privada. Sou contra o capitalismo selvagem, porque promove a avidez pelo lucro e pode conduzir à exploração do trabalhador. Warren Hart, que trabalhou para Henry Ford nos anos 20 do século passado no sector da produção em massa de automóveis, referia que as condições de trabalho eram duríssimas e que só o lucro interessava. Para além disso, os direitos laborais dos trabalhadores não eram levados em consideração. Paralelamente, sou contra a restrição do Estado, porque isso impede a iniciativa privada, a concorrência leal, o desenvolvimento tecnológico e a criação de oportunidades de trabalho.

Defendo um capitalismo humanista, onde todos pudessem ter a possibilidade de desenvolver os seus projetos e os materializar. Não sinto que o capitalismo da moderna sociedade do século XXI seja humanista. O capital encontra-se concentrado nas mãos de uma minoria e só uma minoria de empreendedores é apoiada financeiramente para a prossecução dos seus projetos. Quantos projetos das mais diversas áreas são rejeitados pelos bancos e por outras entidades aptas para o financiamento? Inúmeros! Há mais abertura à inovação do que antes, mas há um longo caminho a percorrer. Admito que houve pessoas e empresas que foram apoiadas (e isso foi determinante e ainda bem), mas admito que muitas mais pessoas e empresas não o foram. E o capitalismo da era moderna nem sempre salvaguarda os direitos legítimos dos trabalhadores como salários mais justos e melhores condições de trabalho. Por isso, é que vimos a revolta dos coletes amarelos em França o ano passado e que disseram que trabalhavam para sobreviver e não para construírem uma vida sustentável.

Continuo a defender o capitalismo como o melhor modelo económico para o desenvolvimento das nossas sociedades e das suas melhorias de condições de vida. A ele devemos tudo o que temos de melhor na nossa sociedade. Apenas gostaria que ele fosse menos selvagem e mais humanista. Que não concedesse as oportunidades sempre para os mesmos e que defendesse melhor os direitos legítimos dos cidadãos com salários mais justos e com mais facilidades de apoio financeiro aos empreendedores. Teríamos assim um capitalismo menos selvagem e mais saudável.

Concordo com esta célebre frase de Winston Churchill sobre a visão que ele tinha sobre os aspectos negativos do capitalismo e do comunismo:

A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas. Do comunismo é a igual distribuição das misérias.

Cris David Silva

Gosto muito de cultura e desporto. Tenho opinião vincada sobre várias matérias e gosto muito de refletir sobre os mais diversos assuntos. Sou apologista de que a vida deve ser vivida um dia de cada vez e com muita esperança e confiança, sabendo de antemão que a vida não é fácil e que é preciso muita força de vontade para conseguir dar a volta às situações difíceis.

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