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Bolsas universitárias…de papel ou de aço?

Estudar na universidade pode ser difícil quando não temos dinheiro. Existindo sempre a possibilidade de te candidatares a uma bolsa, que financie parcialmente ou integralmente quer os teus estudos e alojamento, como a tua investigação. Fica a conhecer as 3 dimensões, da vida real, de um estudante universitário bolseiro.

1.Ser carenciado não significa ser pobre

A primeira coisa que vais entender é que todos nós temos carências a nível financeiro, pelo simples facto de vivermos em Portugal. Por isso, não te admires se olhares á tua volta e vires colegas que conduzem um mini ou que saem todos os dias para almoçar e jantar fora a reclamar que o Estado não lhes atribuiu uma bolsa de estudo, mesmo atendendo ás carências da sua família. Nem te admires se esses mesmos colegas tiverem uma bolsa, enquanto outro que mais precisa não tem.

2. Apoiar é um verbo muito restricto

Se pensas que ter uma bolsa de estudo te dará maior margem de manobra para gerires o teu dinheiro, então não podias tar mais enganado. A bolsa de ação social vai-te ajudar, mas nunca irá permitir que reproves um ano, seja em que circunstância for, nem nunca irá dar-te margem de manobra quanto a empregos. Se trabalhar tens de te poder sustentar, nem que estejas num mero part-time.

3. Investiga e critica, mas não muito

Não acredites em tudo o que ouves, mas definitivamente não opines sobre tudo o que podes. Na tua tese, no teu mestrado, na tua licenciatura ou em tom de conversa com um auxiliar, dizeres que recebes uma bolsa universitária juntamente com uma critica ao Estado é motivo suficiente para docentes e funcionários te considerarem um ingrato, imatura, desnaturado humano que cospe na boca de quem o alimenta. É suposto estares a receber uma educação superior para poderes ser um individuo decente na sociedade, mas essa decência será totalmente corrompida se isso colocar em causa o estado que te governa.

Ser bolseiro não é a melhor situação do mundo, mas sem duvida permite-te o acesso ás universidades que de outro modo nunca estariam ao alcance da tua carteira (sobretudo daquelas pessoas que além de pobres, não conseguiram fazer os sacrifícios e empenhos necessários para entrar numa universidade pública e que o abençoado Estado lhes deu a oportunidade de irem para instituições de ensino universitário privado, urra!).

Acima de tudo, lembra-te das palavras de George Orwell “ignorância é força”… Mas não será a educação comprada outra forma de cegueira?

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Raquel Soares

Aluna de Direito na Universidade Do Minho com uma paixão por livros, filosofia, psicologia e o mundo. Não procuro um mundo melhor, mas esforço-me para construí-lo! Sou activista da Amnistia Internacional em Portugal e participante em projectos que visam a dinamização e a efectivação dos Direitos Humanos. Membro da Associação Universitária de debates nacional e colaboradora da ELSA UMinho.

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