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Concílio Vaticano II – 50 anos de renovação na continuidade

Em 2012, precisamente a 11 de Outubro, comemorou-se o 50º aniversário da primeira reunião do Concílio Vaticano II, que moldou a Igreja Católica tal como a conhecemos hoje.

Convocado em Janeiro de 1961 pelo Papa João XXIII, teve como principal objectivo debater as principais questões relativas à própria modernidade da Igreja, no sentido de uma abertura e actualização, face à contemporaneidade, sobretudo num contexto de um mundo resultante de duas guerras mundiais e a domínio comunista daí resultante, mas também de todas as alterações económicas, sociais e culturais que se viviam, não esquecendo também o progresso científico e tecnológico.

Não se tratava, como o concílio anterior, o Concílio Vaticano, reunido em 1870, de debater dogmas da Igreja e outras matérias de fé – como a infalibilidade papal – que torna o Papa sempre correcto em matérias de fé e moral, ou a condenação do ateísmo, mas sim de aproximar a Igreja dos seus fiéis e das outras Igrejas Cristãs. Era portanto um esforço, não de tomada de posição perante os ataques externos que padecia, como com o Concílio de Trento (1545-1563) face ao Protestantismo, ou do anticlericalismo que se agudizou sobretudo a partir da Revolução, de uma reforma interna, que possibilitasse a adaptação ao mundo moderno, nomeadamente a nível das suas acções no mundo, mas sempre dentro de um contexto de tradição.

Reunido entre 1962 e 1965, num total de quatro reuniões, onde participaram cerca de 2500 prelados – inclusive 29 portugueses, dele saíram 16 importantes documentos: 4 constituições, 9 decretos e 3 declarações. Uma das alterações mais visíveis, foi a alteração da liturgia, nomeadamente a nível do rito romano da Missa, que foi simplificada e passou a ser dita em língua vernácula, em vez do latim. Foram clarificados alguns conceitos, como a Revelação Divina – ou a palavra de Deus – e a Tradição da Igreja Católica, isto é, a forma como a palavra de Deus é transmitida. A liberdade religiosa, o ecumenismo, a tolerância para com os não-cristãos e o apostolado dos leigos foram as grandes linhas orientadoras que foram impulsionadas então.

A Igreja passou a ser entendida não como uma hierarquia, mas como uma comunhão de cristãos espalhados pelo mundo, permitindo uma maior intervenção dos leigos, incluindo as mulheres, no mundo eclesiástico. Confirmou o dever da Igreja perante os problemas sociais e económicos, permitindo a fixação da Doutrina Social da Igreja, nomeadamente uma justa partilha e ordem social.

Papa João XXIII

Modificou-se a forma de relacionar com as outras igrejas católicas, nomeadamente as orientais, afirmando a não supremacia da Igreja católica Latina sobre estas e exortando à preservação dos seus rituais litúrgicos e práticas anciãs. Reafirmou também a defesa dos direitos humanos e, de uma forma muito clara, a defesa da liberdade religiosa. Outra novidade importante foi relativa à missionação, defendendo não a imposição de um modelo cultural único, mas sim a valorização da riqueza cultural de cada um dos povos, ao qual se deveria adaptar a mensagem evangélica.

Muito embora tenha tido a resistência dos sectores mais conservadores da Igreja de então e até dos nossos dias, o Concílio Vaticano II marcou uma viragem importante no seio da mesma e que teólogos e analistas continuam ainda a meditar sobre o significado deste legado, uma vez que essa mesma viragem, segundo João Paulo II e o próprio Bento XVI, que nele participaram, inscreve-se na própria tradição da Igreja: o primeiro por considerar a mais importante reflexão da Igreja sobre si própria e o segundo por o Concílio ser o principal pilar da sua necessária renovação.

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