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Sociedade

A opinião que conta

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“A opinião que conta” é uma das frases que acompanha a publicidade ao comentário político de Luís Marques Mendes. Como ele existem outras opiniões que “contam”. No plano do comentário televisivo, excluindo o comentário desportivo, temos pessoas como Paulo Portas1, Bernardino Soares2, Mariana Mortágua3 ou Manuela Ferreira Leite4, apenas para nomear algumas pessoas. Existem outras pessoas que não exercerem cargos políticos, porém estão ligados a partidos políticos ou agendas políticas.

Outro termo pelo qual são conhecidas estas pessoas é: formadores de opinião. Formar opinião implica que eles agem como produtores de opinião e o que os temas por eles escolhidos se impõem na praça pública. Isto coloca alguns problemas que não são evidentes desde o início como, por exemplo, porque são escolhidos determinados assuntos e não outros; até que ponto influenciam a opinião de outras pessoas e até que ponto são escutados (quem escuta e porquê?); quem fornece e por que motivo fornecem “informações” (quem são estas fontes e porque partilham dados que não são acessíveis à maioria da população e porque é que o fazem)?

Opinião pública é um típico conceito de que todos falamos, mas sem conseguir definir satisfatoriamente. Todos sabemos o que é a opinião pública, isto é, o que cada um diz ou pensa, sem esquecer as atitudes5, sobre determinado assunto. Esta definição não é consensual, mas é uma das formulações que permitirão analisar um pouco melhor a atuação dos formadores de opinião.

A maioria destes opinion makers tem uma exposição que assenta na televisão, nomeadamente, por comentários sobre assuntos na “ordem do dia” e que se pretendem ser tão isentos quanto possível. Outro facto comum a todos é estarem, direta ou indiretamente, ligados a partidos políticos. Alguns até funções de Ministro desempenharam. Nalguns casos, inclusive, houve coincidências curiosas de, após o comentário, haver algumas explicações por parte dos governantes. Noutros, ainda, deu-se o caso de “informações transmitidas por fontes pessoais” que, mais vez, vieram antecipar medidas do Governo (especialmente no período das restrições no âmbito da COVID-19).

Em qualquer dos casos que mencionei existe sempre algo comum a todos os exemplos: os assuntos são definidos por pessoas ligadas a cargos políticos ou partidários através de uma tribuna a partir da qual chegam até nós. Podem alguns leitores atentos refutar esta afirmação questionando: e nos casos em que não vejo televisão ou, nos casos que até vejo televisão, mas não vejo canais noticiosos? Nestes casos, posso não ver a atuação do comentador, mas vejo o resultado da sua atuação quando os jornais procuram explorar aquele assunto ou quando “todos” falam sobre esse mesmo assunto.

Outro elemento comum à maioria dos comentadores é o facto de terem desempenhado cargos políticos ou, já não exercendo, ainda estarem ligados a partidos políticos ou agendas políticas. E isto é um facto muito importante porque para que seja possível governar deve existir a maior uniformidade possível de opiniões.

Ao estarem ligados a partidos políticos e a agendas políticas, deixam de ser “especialistas” e passam a agir em prol de ideias ou programas políticos. Pelas suas bocas sobressaem ânsias de moldar e arregimentar “militantes” para determinados lados. O trabalho de docilidade da maioria inicia-se na escola com o alinhamento de opiniões e treino para obedecer e continua com estes formadores de opinião que, por agora estão nos ecrãs televisivos, mas que certamente, como a História já mostrou, vão se adaptando em função dos meios tecnológicos disponíveis (cafés filosóficos, livros e jornais impressos até à televisão; o futuro será através dos dispositivos móveis).

  • 1) Foi alto dirigente do CDS, liderou ministérios e foi Vice Primeiro-Ministro no Governo de Passos Coelho
  • 2) Alto dirigente do PCP, foi deputado e presidente da Câmara Municipal de Loures
  • 3) Deputada pelo BE e alto dirigente deste partido
  • 4) Deputada pelo PSD, tendo sido ministra
  • 5) Fiquemos pela definição mais simples que define atitude como uma predisposição para a ação.

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Davide Morais Pires
Cresceu no campo a pensar na cidade e agora que está na cidade só pensa no campo. Apreciador de café, mas isso não quer dizer que sonegue um bom chá, preferencialmente preto, para iniciar uma conversa interessante. É aluno de mestrado em Relações Interculturais e autor do livro Ecce Homo, editado por Poesia Fã Clube.

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