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A oliveira do meu avô

Uma oliveira. Azeite. Espanha. Tempo. Novo cinema espanhol, com laivos de intervenção e com roupagens inovadoras onde o clássico e o característico, se unem como se mergulhassem com facilidade. Uma aldeia, um avô e uma neta. Vida que se cruzam e que não se pode repetir. Jovens que se buscam e mudanças que a sociedade vai impondo.

Somos convidados a entrar na história de Alma, uma jovem de 20 anos de idade, cheia de ideias e divertida que tem no seu avô a melhor e maior referência de amor e carinho. Contrariando o pai e o tio, que se queixam de falta de amor, Alma criou memórias tão boas com o seu querido velhote, que as quer eternizar.

As suas brincadeiras preferidas foram passadas no olival e o avô, cheio de paciência e carinho, explica-lhe que algumas daquelas árvores são especiais pois tiveram os romanos como plantadores. Uma delas é a sua preferida e aprendeu a crescer e criar os seus mundos, na árvore que deu o nome de sua.

Contudo o azeite nem sempre é da melhor qualidade e a família, caída em desgraça financeira, viu-se forçada a vender, há 12 anos contra a vontade do avô, a tão importante árvore. Desde essa altura que o velhinho se recusou a encarar a realidade, deixando de falar e perdendo a alegria de viver.

Para Alma, o avô é a pessoa mais importante da sua vida e acredita que a oliveira é a única coisa que o poderá salvar. Faz as suas pesquisas e descobre que a sua árvore foi transladada para a Alemanha, estando no átrio da sede de uma grande empresa que passa a ideia de ter uma certa política ambiental inatacável. Saltou-lhe logo a ideia de a ir resgatar e devolver a vida ao seu querido avô.

Empreende, então, uma missão impossível, mas, para isso, cria uma história para convencer o tio e um amigo a alinharem na aventura do resgate. Partem de Espanha para a Alemanha, num camião desviado de um armazém, para fazer uma longa viagem até às terras germânicas e trazer a oliveira de volta.

Descobre que a política ambiental da empresa é apenas uma capa, uma reles fachada que implica milhões de euros de toxicidade e de vidas que perdem tudo para lucro de apenas alguns. Quando Alma fica perante a árvore, os sentimentos e emoções tomam conta de si e tudo pode acontecer. Depois de saber que o avô tinha falecido, algo se quebra dentro de si e toda a verdade surge grande e redonda, perante os seus olhos.

Um filme que é uma história de amor entre gerações, uma ligação à terra, aos valores ancestrais e a força da vontade e determinação de uma rapariga que não abdica do que entende ser correcto. As oliveiras sabem como encantar. A terra, mãe que não seca, ainda é o sustento do povo.

Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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