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A dor emocional

É espantosa esta nossa inata aptidão! Estamos a falar da nossa capacidade de nos ajustarmos às situações, produzindo novas respostas, narrativas e experiências. Falamos desse maravilhoso património herdado e adquirido, o poder de sentir, de aceder aos nossos desejos, às nossas necessidades e motivações. Que bom, quando o que sentimos nos promove a nós e aos outros. A raiva protetora, por exemplo, assinala a nossa identidade, os nossos valores, perante o outro. A delicadeza aproxima-nos. Assim, a dor e o bem-estar emocionais são verdadeiras fontes de informação e de ação adaptativas.

A dor emocional emerge e pode intensificar-se quando evitamos ou negamos sentir, quando perpetuamos respostas não adaptativas, quando insistimos em narrativas rígidas e disfuncionais, quando entregamos a alguém a nossa responsabilidade de sentir, quando entramos em conflito interno connosco e, depois, com os outros.

Em que medida acedemos ao que sentimos? De que modo regulamos e transformamos emoções não adaptativas? Será que promovemos narrativas construtivas sobre nós e os outros? No fundo, de que modo estamos a sentir? Quando atendemos ao que sentimos, apercebemos de quatro principais formas de resposta emocional.

A resposta primária adaptativa é a função própria da emoção, que é a de processar rapidamente informação, expressando uma relação consistente com uma dada situação e, ao mesmo tempo, ajudando-nos a assumir uma opção apropriada. O medo, perante uma ameaça real, leva-nos a fugir, a reagir de um modo adaptativo.

A resposta primária não adaptativa é a expressão de uma emoção primária que já não nos ajuda. Estamos a dar resposta ao vivido no passado ou ao presente? Imaginemos que vemos um gato e entramos em pânico, será essa reação adaptada à situação?

A resposta secundária acontece em reação a uma emoção primária não atendida. Haverá alguma experiência de sentir por detrás da resposta emocional? Suponhamos que sentimos raiva por estarmos mais retraídos e tímidos, em resultado da vergonha que experimentamos por algo vivenciado. A raiva não corresponde ao sucedido, mas sim ao sentido, e pode aumentar se a vergonha (emoção primária) não for expressa e atendida.

A resposta instrumental procura controlar e influenciar os outros. Onde queremos chegar com esta atitude? Um bom exemplo deste tipo de resposta pode ser traduzido nas chamadas ‘birras infantis’.

Que bom, quando reconhecemos as emoções e assumimos o seu significado primário adaptativo. Assim, acontece ao tomarmos contato com as nossas sensações corporais, tomando consciência das sugestões emocionais vivas e simbólicas, regulando os nossos níveis de ativação emocionais, amando e cuidando a nossa eventual dor emocional, esquecida ou um dia não atendida. Ao sentirmos as emoções, aceitando-as, expressando-as, as nossas dificuldades emocionais podem ser transformadas e recriadas com um novo significado adaptativo. No fundo, estamos a falar da nossa espantosa capacidade de nos desenvolvermos para nosso bem e bem de todos.

Bernardo Corrêa d'Almeida

Sou o Bernardo Corrêa d’Almeida e exerço a profissão de psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação às pessoas com quem trabalho. Também sou professor, escritor e curioso em aprender!

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