“- Oh pai, quando é que acabam estas guerras? O Trump não tinha dito que ia acabar com as guerras?”
Tenho este mau hábito de ter a televisão ligada num canal de notícias em ruído de fundo enquanto jantamos e se vai falando de como correram os nossos dias. Por estes tempos fala-se muito de guerra. E a pergunta da minha filha mais nova − 13 anos – até é legítima.
Com a promessa de acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas a cair em saco-roto, quer este, quer o conflito Israel-Hamas vão-se perpetuando no tempo.
Putin, com a sua “operação militar especial” – um eufemismo que criou para redefinir as palavras invasão e guerra” – alegou pretender desnazificar a Ucrânia, enquanto vai diabolizando o ocidente, culpando os políticos ocidentais de todos os seus males. Como se todos nós não conhecêssemos a sua ambição de devolver à Rússia as fronteiras da antiga União Soviética. E por onde começar? Pela Ucrânia que por acaso, entre outros méritos, até é um dos maiores produtores mundiais de cereais e conta com uma riqueza incomparável numa extensa lista de minérios.
Quanto a Trump, parece-me interessante todos acharem que o, de novo, presidente norte-americano tudo vai resolver, qual novo Messias, salvador do mundo e de todos os seus problemas.
Trump quer agregar o Canadá tornando-o no seu 51.º estado, quer a Gronelândia, quer o canal do Panamá e “sugere” transformar a faixa de Gaza numa Riviera do Médio Oriente.
É o modelo mais recente e bem equipado no que diz respeito a líderes de extrema direita: repete-se e repete até à exaustão as frases batidas de Make América Great Again de tarifar tudo, expulsar todos.
Temos, espalhados um pouco por todo o mundo, políticos impacientes, que querem mostrar resultados agora. Manipula-se informação, censuram-se órgãos de comunicação, disparam-se fake news por tudo e por nada.
As guerras já não se travam apenas por militares, no terreno, no campo de batalha, no ar ou no mar; disputam-se por equipas de especialistas de redes sociais, por hackers, no digital, através de ataques informáticos, a chamada guerra cibernética levada a cabo por hackers, grupos terroristas ou mesmo por um Estado contra outro a coberto do anonimato que a Internet proporciona.
A política foi transformada num espetáculo televisivo, num reality show onde se encenam assinaturas de leis, onde se montam palcos para troca de reféns entre os países beligerantes.
Prometem-se ajudas para combater o inimigo mas em troca garante-se a exploração de minérios no pós-guerra.
Do grego politiké, “a arte de governar a cidade”, segundo os dicionários é a ciência ou arte de governar mas também, habilidade para lidar com qualquer assunto de forma a obter o que se deseja.
“- Oh filha, o Trump diz tudo o que for preciso para obter atenção!”
É a nova política, estúpido!”. Talvez seja.
Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico.