O que pode trazer o CDS de volta à ribalta e a dar-lhe uma nova importância no mundo político atual?

O CDS ou o Centro Democrático Cristão/Partido Popular é um partido político que foi fundado como um partido democrata–cristão de direita, estabelecendo uma ligação indissociável entre o Cristianismo e os ideais democráticos da liberdade, da igualdade de oportunidades, da justiça social e da defesa intransigente dos direitos do Homem.  É um partido de direita democrática, popular e nacional.

O CDS defende o funcionamento de uma economia de mercado, assente nos princípios da propriedade privada e livre iniciativa privada e uma diminuição da intervenção do Estado na economia e respetiva desregulamentação (embora este possa intervir sempre que necessário para evitar abuso, corrigir desigualdades sociais, proteger os direitos dos trabalhadores, entre outros). Trata-se de um partido político que vai contra a ideia de um estado intervencionista, ou seja, que estrangula o mercado e o torna menos competitivo e eficaz.

Em contrapartida, advoga que o Estado tem a obrigação de financiar o acesso ao ensino, mas não a de produzir todo o ensino; defende que o Estado deve garantir o acesso de todos os cidadãos aos cuidados de saúde, mas não pode ser o único prestador de serviços de saúde; e defende que devem ser estabelecidas regras de concorrência e de mercado entre as diversas entidades prestadoras de serviços, públicas ou privadas, no sentido de melhorar a qualidade e controlar o aumento de custos para a população em si.

Todavia, para percebermos no que o CDS pode ser importante no mundo político atual, temos de recorrer ao partido de extrema-direita CHEGA, presidido por André Ventura. Embora tenha sido fundado recentemente, assenta no liberalismo económico e no conservadorismo dos valores, defendendo penas mais pesadas para diversos tipos de crimes, como a corrupção, defendendo penas como a pena de prisão perpétua e a castração química. Alguns militantes do quadro do CHEGA, advogam um pensamento que não respeita os direitos da comunidade LGBTQIA+, sendo contra o casamento de pessoas do mesmo sexo e a interrupção voluntária de gravidez.

Para além disso, o CHEGA tem um pensamento muito nacionalista em relação aos migrantes, defendendo políticas mais restritivas de controlo e seleção, atacando muitas vezes minorias étnicas, como a comunidade cigana.

Em suma, é um partido político de frases populistas dirigidas aos cidadãos descontentes com os últimos governos mais irrealistas, muitas vezes assentes numa propaganda de ódio, e que promete mundos e fundos, por exemplo a descida de impostos, sem que tenham viabilidade económica.

Muitas das causas defendidas do CDS foram captadas pelo CHEGA, por exemplo, o controlo da imigração, dos subsídio-dependentes, da ideologia de género, entre outras, o que fez com que o CDS tivesse perdido alguma visibilidade e intenções de votos.

Na tentativa de voltar à ribalta, a coligação que o CDS faz com o PSD e PPM na Aliança Democrática poderá ser importante para voltarem a ter lugares elegíveis e, por isso, ser-lhes-á benéfico para recuperar a visibilidade e a mobilização de alguns votos, ajudando assim a retirá-los da posição de extrema-direita. Contudo, o CDS-PP dificilmente voltará a ter a sua independência e a força política que teve no passado.

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