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Televisão

O Gerente da Noite (The Night Manager)

O Gerente da Noite” é uma minissérie de 6 episódios baseada no romance homónimo de John le Carré. Não li o livro (e se calhar ainda bem), pelo que comecei a ver a série completamente às escuras. Os únicos pontos a favor que eu conhecia eram a) a presença de Tom Hiddleston, b) a presença de Hugh Laurie (olá, Dr. House, long time no see), e c) o conselho veemente da minha amiga Patrícia. Órfã de série depois de uma maratona de cinco temporadas de Peaky Blinders (de que falarei em breve), atirei-me a este Gerente da Noite à espera de entretenimento levezinho que me fizesse esquecer o Tommy Shelby.

Bom… fui surpreendida. Muito surpreendida. Comecemos pelo início: isto poderá conter spoilers, portanto, avancem cautelosamente (vou tentar evitar, mas…). 

O livro que deu origem à série foi lançado em 1993 e a série é de 2016, pelo que houve uma adaptação à época. É por isso que digo que talvez tenha sido bom não ter lido o livro primeiro. Desta forma, não estava, de todo, condicionada pelo que tivesse lido e não estive à procura de semelhanças e diferenças entre o que John le Carré escreveu e o que David Farr, argumentista da série, fez com o livro.

Portanto, temos Tom Hiddleston no papel de Jonathan Pine, um antigo militar, agora tornado gerente do turno da noite de um hotel no Cairo, que recebe informação não solicitada acerca da venda de armamento. A mulher que, inadvertidamente, lhe dá a informação é Sophie Alekan, mulher de Freddie Hamid, um pouco honesto homem de negócios egípcio. Jonathan, ao tomar conhecimento da venda das armas, leva a informação à embaixada britânica e é a partir daqui que a tudo começa a descambar. A coisa corre mal e Jonathan deixa o Egipto rumo à Suíça, numa tentativa de recomeçar a sua vida longe dos Serviços Secretos e de negociatas duvidosas. 

Acontece que o que tem de ser tem muita força e ele dá por si a ser recrutado para se infiltrar na rede de Richard “Dicky” Roper, o ex-Dr. House, big boss de tráfico de armas e afins. Ainda ressentido com o fim da história do Egipto, que aconteceu precisamente por culpa de Roper, Jonathan começa a imiscuir-se no seu mundo, com a missão de desmantelar aquela rede e de o fazer pagar por uns quantos delitozinhos. 

Entre desconfianças dos que estão mais próximos de Roper e excessos de confiança da namorada do mesmo, Pine vai construindo o seu caminho. Como antigo soldado, é rapaz que sabe que às vezes é preciso fazer o que tem de ser feito e não se encolhe muito em ir agindo conforme as necessidades (e isto não faz dele um menino do coro, na verdade). 

As voltas e reviravoltas são bastantes e o ritmo está sempre lá em cima. É daquelas séries para ver em modo compulsão, sem sair do sofá. Os cliffhangers são daqueles que nos fazem ignorar as horas e querer ver tudo de seguida. Sim, é viciante.

Do que é que eu gostei mais? 

  • Dos cenários. Entre o Cairo e Palma de Maiorca, com uma escapadinha até à Turquia, ali mesmo à beirinha da Síria (coisa que me fez lembrar outra série imperdível – Kalifat, da Netflix), a cenografia é incrível. 
  • Da fotografia. O contraste dos tons quentes e terrosos do Médio-Oriente com o cinza-chuva de Londres, o branco imaculado dos Alpes e o azul tropical de Palma de Maiorca contribui muito para que a história se construa tanto pelos diálogos e pelas situações em si, como também por todos os elementos adjacentes. 
  • Do Tom Hiddleston. Não é actor que eu siga, mas percebi que, aqui, está irrepreensível. Todo o acting dele é incrível e suporta bem a série, sem a tornar uma xaropada.
  • Da Olivia Colman. Esta senhora, que sacou um Oscar há uns anos pela sua interpretação absolutamente genial n’A Favorita, e que eu já tinha adorado noutra série maravilhosa (Broadchurch, da Netflix), faz muito por esta série. Ela é a agente que recruta Pine e surge aqui gravidíssima (e não, não era uma barriga falsa para ajudar na construção da personagem; ela estava mesmo grávida e isso foi incorporado na série), a fugir ao estereótipo de agente boazona que anda a correr e aos tiros e que acaba na cama com um dos maus.

E do que é que eu gostei menos?

  • Do Dr. House… ah, perdão, do Hugh Laurie. Talvez por ter feito aquela personagem que define toda a carreira dele, é-me difícil descolar dos jeitos e trejeitos a que ele nos habituou com o House. Parece-me que é daqueles actores que, por muito que faça, nunca vai conseguir distanciar-se da personagem que o tornou famoso (um bocadinho como a Sarah Jessica Parker e a sua Carrie Bradshaw, d’O Sexo e a Cidade, e como a Ellen Pompeo e a sua Meredith Grey, da Anatomia de Grey).

Não apanhei plot holes, não achei nada inverosímil. Parece-me uma série muito bem conseguida, com muito sumo, óptimas representações, excelente realização e tecnicamente irrepreensível. É um 8.1 no IMDB e acho muito merecida esta avaliação. 

Onde é que podem ver isto? No AMC, que tem por política ir repetindo as séries que vai passando. Se não estiver disponível agora, é questão de darem um saltinho à net e encontrá-la-ão facilmente.

Lénia Rufino

Escreve porque não sabe fazer mais nada. Mentira. Sabe, mas não gosta tanto. Criadora compulsiva de personagens com distúrbios psicológicos graves e dona de um fascínio absurdo por mentes conturbadas.

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