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A MODA

A definição de artes maiores vs artes menores sempre foi uma coisa que me fez muita confusão. Os puristas da arte que colocam no pedestal as artes maiores como a pintura e escultura e rebaixam todas as demais. Não faz qualquer sentido a arte é arte, ponto final, sem superlativos! Então no que diz respeito à moda, parece que os universos são paralelos sem se cruzarem, o que não é de todo verdade.

Por muito diferente que seja o “mundo” da moda o que por ali se faz é arte, sem hipótese para discordâncias. A par da arte moderna, nenhuma outra forma de arte gera tanta polémica como a moda.

É um meio artístico com características muito próprias e envolve muitas pessoas. Pode gerar milhões e um “verdadeiro” artista faz arte pela arte. Esta última parte – “fazer arte pela arte” é todo um outro tema para dissertar, já que se saiba os artistas não vivem do ar e uma vez por outra têm de se vender à economia global, se querem ter o que comer. Ser-se artista talvez seja acreditar que não se precisa “vender” ao mercado mesmo que careça e aprecie as ovações do público e da critica. Adiante…

A moda é, por isso, uma forma de arte relativamente recente dentro desta terminologia. Sempre me deixou confusa que não a considerassem como uma grandiosa forma de arte, ao mesmo nível da pintura ou a escultura, porque é isso que ela é! Se pensarmos que um estilista tem de: imaginar, contar histórias, desenhar, conceber, materializar, organizar e vender poucos campos ficam por preencher. Talvez por isso um estilista não seja apenas um artista mas também um estratega, um marketeer e um negociador.

Do ponto de vista artístico, a moda vive do desenho, dos tecidos, padrões e materiais e por isso é talvez de todas as formas de arte a mais completa que conhecemos. A comercialização e a democratização do vestuário não esmorecem o glamour que existe associado à moda e a tudo o que lhe está subjacente. Quando escolhemos uma roupa estamos a ornamentar o nosso corpo, não o fazemos de ânimo leve ou de forma desinteressada, o vestuário é também uma extensão da nossa personalidade.

A arte é arte, não se devia deixar contaminar por conotações desnecessárias. Um artista, qualquer que seja o seu campo de atuação é sempre um artista, não é menor no seu valor pelo tipo de arte que pratica.

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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