A invenção do código de barras

Estão por todo o lado. No vestuário, nas embalagens de alimentos, electrodomésticos e até em livros, em todo mundo. Falamos dos códigos de barras. São produzidos cerca de cinco biliões de códigos de barras por dia, em 150 países.

Bernard Silver (1924-1963) e Norman Joseph Woodland, falecido no ano passado, com 91 anos de idade, foram os homens por detrás desta invenção. No inverno de 1948-1949, junto a uma casa de praia na Florida, Norman desenhou com os dedos das mãos linhas na areia e associou automaticamente ao código Morse. Porém, em vez de pontos, tinha linhas, que poderiam assumir diferentes grossuras.

Norman nasceu em Atlantic City, Nova Jersey, tendo vivido ai a sua adolescência, enquanto durou a lei seca. Durante a Segunda Grande Guerra, trabalhou no projecto secreto nomeado de Manhattan, um programa militar que levou ao desenvolvimento da bomba atómica.

Quando se encontrava a tirar a sua licenciatura, na actual Universidade de Drexel, Norman e o seu colega Bernard tomaram conhecimento de que um gerente de supermercado havia solicitado do reitor da universidade o desenvolvimento de uma tecnologia que arquivasse informações sobre os produtos aí vendidos. Ambos procuraram encontrar uma solução para o problema. No inverno de 1948, Norman mudou-se para a casa dos avós, na Florida, tentando inventar um sistema de codificação inspirado no Código Morse. O código de barras, ainda que tenha sido projectado para resolver um problema em particular, nascia assim fruto do acaso.

Em 1949, os dois amigos registaram a patente, nomeando a invenção de “aparelho de classificação e método”. Todavia, foram incapazes de inventar um dispositivo que procedesse à leitura prática dos códigos, pelo que acabaram por vender a patente em 1952, por 15 000 dólares.

Norman trabalhou na IBM, empresa que iria desenvolver esta invenção. Seria a 26 de Junho de 1974 que pela primeira vez um scanner apitaria numa caixa de supermercado, em Troy, Ohio, ao ler um código de barras. O produto? Um pacote de gomas, agora em exibição no Museu Nacional do Instituto Smithsonian de História Americana.

Em 1992, Norman recebeu do presidente norte-americano George Bush a Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação, o mais importante galardão norte-americana no âmbito do desenvolvimento tecnológico.

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