Votar. A urgência do direito

Votar. Mais que um direito é um dever. Mais do que uma obrigação, uma acepção moral. Algo indiscutível. Algo banal no quotidiano. Algo assumido, entrosado, numa sociedade que conquistou esse «privilégio».

Olhamos para as eleições europeias e para a abstenção histórica que ronda os 70% e percebemos que algo está mal. Algo está objectivamente fora do lugar. Estruturalmente estamos a falhar: como estado, como nação, como todo, como colectivo. Como força suprema democrática.

O que se passa ao certo? Há falta de informação? Há falta de «vontade»? Falta de consciência da maioria?

Custa-me acreditar que esta abstenção seja apenas falta de bom-senso. É preciso ir votar. É preciso exercer o direito, o dever democrático. Sem isso, o que somos? De que valeu toda a conquista de 25 de Abril? De que valeu? Seria uma espécie de regressão moral, intelectual, social. Seria — e infelizmente é — uma calamidade.

Precisamos de mudar isto. Precisamos de mudar a conjuntura política actual. Porque, sejamos sinceros: hoje em dia que político inspira confiança? Que partido, com ideais cada vez mais extremistas, será capaz de provar ser «a melhor escolha»? É difícil dizer. Com esta realidade e conjuntura fica difícil descrever, adjectivar o que quer que seja. Somos o único país da União Europeia em que a abstenção aumentou, em todos os outros há cada vez mais intervenção do «povo». E era assim que devia ser. Foi isto que nos prometeram.

É difícil chegar a um consenso. Se por um lado uns dizer que “perdeu a fé no sistema”, outros dizem “então, vota em branco — mas não deixes de exercer o teu direito”. Uma coisa é certa: nestas questões, a passividade e apatia nunca será uma boa resposta. Porque a vida continua e tudo acontece sem poderes dar o teu contributo: sem poderes dar expressão à tua voz.

Por isso, no fundo, não deixes de votar. Não deixes de exercer o teu direito que tanto custou a conquistar. Muitos poderão dizer que a abstenção é uma forma de protesto e que os verdadeiros «culpados» são os que elegem, porque foram os que decidiram o futuro calamitoso (actual) do país ou do mundo; no entanto, se não exerceres o teu direito, se – estando tu ciente precisamente da necessidade de uma mudança (porventura radical) – não contribuis para essa mudança, para o início da “revolução”, moldagem, ascensão de um novo paradigma, o erro está em ti, nessa tua passividade, apatia, não querer.

Quando algo te inquieta, faz por agir. Como Fernando Pessoa uma vez disse, “faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles”. Neste caso, pensa fora da caixa e, de facto, não faças como os outros: vai votar.

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