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A Europa não é perfeita

Acabei de assistir a um vídeo publicado na página do facebook dos «Socialist and Democrats Group», cujo título é «Europe is not perfect» (Europa não é perfeita). E fiquei a pensar se tal – óbvia – constatação é fruto de uma tardia constatação de que o actual estado de coisas no Velho Continente está – muito – próximo de roçar o caricato ou se tal se deve, tão simplesmente, ao aproximar da data das eleições para o Parlamento Europeu e como tal há que ir tentando “tocar no coração de manteiga” do eleitorado europeu, não vá a abstenção (esta coisa que não interessa para nada) atrapalhar a – já costumeira – estratégia futura das famílias políticas europeias.

Contudo, verdade seja dita, a Europa não é perfeita. Nunca o foi! E nunca o será, porque a sua natureza e história assim o determinam. Um conjunto de Povos com algumas raízes semelhantes, culturas e línguas distintas podem, em certos momentos da sua história, entender-se e, inclusive, procurar entender-se em determinadas matérias onde lhe seja proveitoso tomar uma posição conjunta para poderem, desta forma, fazer face às vicissitudes naturais de um Mundo globalizado. Agora algo de muito diferente e, na minha opinião, manifestamente impossível, é tentars-se criar uma nova Nação, onde se diluem a maior parte das Nações que compõem o Velho Continente. Dito de outrra forma: parece-me manifestamente impossível que algum dia surjam os “Estados Unidos da Europa”. Tal parece-me uma tremenda impossibilidade por muito que os eurodeputados, instituições europeias e os grupos das famílias políticas europeias nas redes sociais tentem dizer o contrário.

A Europa não é perfeita. Ponto! E não é de tal forma que ultimamente o Parlamento Europeu tem vindo a perder o seu precioso tempo no combate aos famosos “memes” em vez procurar tomar posições que reforcem a posição europeia no Mundo. Países como a Rússia e China não estão “a dormir na forma”. Estes, de uma forma legítima através da “via diplomática” estão, aos poucos, a assumir o papel de “Donos do Mundo”. Papel que a América de Trump está, aos poucos, a abandonar. Depois venham para a Praça Pública com o batido discurso da diabolização de Vladimir Putin e Xi Jinping por estes estarem a fazer aquilo que a “Europa que não é perfeita” deveria fazer.

Ora, salvo erro da minha parte, no próximo mês de Maio do corrente ano cível vão-se realizar as eleições europeias. Destas eleições sairão os representantes eleitos por cada estado-membro para o tal órgão que pretende combater os “memes” da Internet. Representantes que, por uma questão de “arrumo político”, irão incorporar uma determinada família política, dado que os estados-membros com maior densidade populacional elegem, obviamente, mais eurodeputados. E não importa que tal “arrumo” coloque lado a lado anti-europeus, fascistas, xenófobos, pró-europeus, democratas e tolerantes lado a lado. E ainda há quem fique muito indignado quando o partido de um certo Primeiro-Ministro de um país do leste se lembra de fazer campanha eleitoral para estas mesmas eleições com slogans anti-Europa.

Tudo isto para se chegar à mais do que óbvia conclusão de que a Europa não é perfeita. E não é de facto!

Então, não tentem passar a ideia de que algum dia poderemos criar a Europa perfeita. Não o iremos fazer nunca. Especialmente enquanto as coisas forem como são. E é se calhar muito por aí que quase ninguém, a não ser os que integram as listas para as eleições europeias, atribui grande importância ao acto eleitoral do próximo mês.

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Pedro Silva

"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida." (Salvador Dalí) Crítico, opinativo e com mente aberta. É isto que caracteriza um Cronista.

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