American Crime Story

A série criada por Scott Alexander, Larry Karaszewski e Tom Rob Smith recebeu um novo rumo nesta segunda temporada. Baseada na série principal, American Horror Story, esta também segue a influência de uma história autónoma a cada temporada. Depois de abordado o caso de O.J. Simpson e do seu julgamento em 1994-1995 sobre a morte da sua ex-mulher e do seu amigo. A segunda temporada foi baseada no livro de Maureen Orth, “Vulgar Favors: Andrew Cunanan, Gianni Versace, and the Largest Failed Manhunt in US History”, sobre o assassinato do estilista Gianni Versace. A família da casa italiana apresentou a sua oposição à série. Por esse motivo percebemos que esta é uma obra baseada na imaginação dos produtores e tal é explicado no final de cada episódio. Sabemos o desfecho final, contudo os meios são ainda ocultos. Esta é uma série baseada em eventos verídicos, mas apenas com conteúdos de entretenimento e não históricos.

O primeiro episódio começa com o início do fim. O estilista italiano, mundialmente famoso, Gianni Versace (Édgar Ramirez) acorda na sua mansão em Miami Beach. Toma o pequeno-almoço e sai para comprar as notícias do dia. Durante o caminho ainda é abordado por alguns fãs que insistem num autógrafo. Na mesma sequência conhecemos o lado do assassino, Andrew Cunanan (Darren Crisis). Com um aspecto desnorteado e desesperado, grita sozinho em plenos pulmões na praia. Percorre as ruas de Miami com tristeza no olhar e com cara de decidido. Usa um chapéu vermelho e uma mochila às costas com uma cópia do livro “The Man Who Was Vogue”, o nome do episódio, e uma arma na mão direita. Enquanto Versace abre a porta da sua mansão, Cunanan vê aí a oportunidade e dispara à queima-roupa. Esta é a introdução da história.

Voltamos atrás no tempo e conhecemos os precedentes de Cunanan. Um jovem vivaço que mente com os dentes todos. Usa a imaginação e cria histórias fantásticas sobre a sua vida e conseguindo ainda fazer os outros acreditarem. Mestre da persuasão, aprendeu estas técnicas com o seu pai. No episódio 8 “Creator / Destroyer” é apresentada a sua infância. Educado e mimado pelo progenitor, que via nele o “filho especial”, tornou-se narcisista e individualista. A família sempre foi o seu pilar. Contudo quando esta desabou, o pai fugiu do país para as Filipinas acusado de fraude, a doença metal da mãe começou a agravar e a falta de dinheiro, ajudaram a que Andrew fizesse tudo para chegar ao topo da classe social. Para isso usou a arma que sabia usar melhor, mentir e manipular.

Apesar da publicidade se basear na personagem de Versace, o foco desta segunda série é mesmo Andrew Cunanan. Antes de assassinar o estilista, matou quatro pessoas. Todos esses momentos são explicados em episódios separados. Considerado um dos homens mais procurados do FBI, conseguia disfarçar-se facilmente. Uma caça ao homem que demorou  a terminar.

A homossexualidade é outro dos temas retratados nesta série. No início dos anos 90, era ainda um tema tabu. A dificuldade de aceitação da homossexualidade na sociedade era um dos assuntos  mais comentados. Um momento que mudou opiniões foi quando a Princesa Diana (também grande amiga de Versace) cumprimentou um doente   infectado com o vírus HIV ,ignorando o protocolo sem luvas, em 1987. Contudo a repreensão ainda continuou. Em  “O Assassinato de Gianni Versace” ambas as personagens principais sofriam com  essa amargura. Gianni vivia em Miami com o seu companheiro Antonio D’Amico (Ricky Martin). Eram constantes as festas sexuais que organizavam lá na mansão. Um facto curioso foi após a morte de Versace que o polícia encarregado da  investigação, questiona D’Amico sobre o seu envolvimento com a vítima.  O questionado responde que é companheiro  de Versace. O polícia  não consegue perceber que existe a possibilidade de serem parceiros sexuais.  Outra personagem  secundária que merece destaque é Donatella Versace  (Penélope Cruz). Não aceitava Antonio na família, e considerava-o como uma distracção na profissão do irmão. Mas como os dois sofrem do mesmo luto, começam a aceitar-se naturalmente.

Durante nove episódios, invadimos a intimidade destas personagens. Com momentos do presente e passado, percebemos que cada uma destas personagens verídicas mantinham um ponto em comum: eram solitárias e  guardavam para  si a sua própria dor. Cunanan só tinha um desejo, queria ser lembrado.  Versace  era o seu ídolo, o homem que gostava de ter sido.  A fama e  o dinheiro  era o que mais adorava. Assassinou o estilista, mas ainda  se desconhece os motivos, talvez fosse um ato de desespero para alguém que já estava muito danificado psicologicamente. Na última cena  é apresentado o seu último local de descanso. Uma vala comum e, enquanto a  câmara avança, percebemos que ficará destinado ao anonimato.

A série “O Assassinato de Gianni Versace” é ambiciosa e esteticamente bonita. Percebemos também alguns dos segredos das criações do famoso estilista  e  as preocupações da irmã na tomada de posse da empresa  com o nome da família. Além das  pistas sobre a investigação do assassinato. A banda sonora é musicalmente irrequieta e foca-se principalmente na ópera italiana, o que sugere mais dramatismo às cenas. Apesar de não ter sido tão  surpreendente como a primeira temporada, segue o seu próprio caminho. Torna-se interessante com o fantástico argumento e as  perfeitas interpretações. A terceira temporada está em processo de produção e vai focar-se no Furacão Katrina.

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