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We Are Your Friends – O lado bom do cliché?

We are your friends é um filme necessário. Além de ser inovador, no sentido em que retrata o sonho de um jovem em singrar enquanto DJ, é, também, estimulante, porque nos transporta para um mundo de música ritmada, dança e algumas loucuras. Depois de passarmos cerca de cem minutos na sala de cinema, a contemplar as aventuras de um grupo de amigos que procura, acima de tudo, dinheiro e diversão, a vontade que temos é de mandar as rotinas todas por água abaixo e descobrir, de novo, o lado mais ousado da vida.

Infelizmente, não há nenhuma performance que seja tão entusiasmante quanto a narrativa em si. Zac Efron, o protagonista, chega-nos como quase sempre, numa personagem pouco complexa: Cole é um jovem com algum talento para a música, cheio de vontade de contrariar a normalidade quotidiana, que quer tudo menos ficar o resto da sua vida em San Fernando Valley, a ganhar uns trocos num emprego de escritório. Os seus três melhores amigos, Dustin, Squirrel e Ollie,são o incentivo extra de que precisa para continuar a perseguir o seu sonho de fazer música eletrónica sem ter de se preocupar demasiado com as consequências de todo o processo. Afinal, quem precisa de responsabilidades, quando se está rodeado de bons amigos que olham a vida da mesma forma que nós?

O objetivo conjunto destes quatro rapazes é conseguir dinheiro para se mudarem para Los Angeles, no final do Verão. Contudo, não deixa de ser difícil para o/a espectador/a perceber o que separa o sonho de ser DJ da simples vontade de permanecer rebelde. Será Cole verdadeiramente apaixonado pela música, ou esse foio escape mais fácil e rápido que arranjou para evitar o aborrecimento de uma “profissão normal”? E o percurso que leva até ao final do filme é a projeção da luta por um objetivo, ou trata-se apenas da filosofia do carpe omnium?

Seja qual for a motivação de Cole, a verdade é que seguir a sua trajetória é delicioso. Sabemos que se trata de um cliché e que, de uma maneira ou de outra, estamos a ver no grande ecrã uma parte que está presente em todos/as nós. A diferença é que, neste coming of age mais ou menos convencional, o sonho é a música eletrónica. Isso faz toda a diferença e, claro está, Max Joseph – o realizador – sabia disso, quando idealizou esta longa-metragem.

Finalmente, vemos retratada no cinema mainstream a onda de sons que anda a invadir os tímpanos das novas gerações. Quer queiramos, quer não, aliar isso ao facto de o protagonista ser um dos jovens que essa geração melhor conhece é uma bela maneira de garantir salas de cinema cheias. Felizmente, a verdade é que acabamos por reter uma energia muito positiva de We are your friends porque, mesmo reconhecendo-lhe o tom familiar, típico de uma história cliché, até acabamos por gostar que ele lá esteja.

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Liana Rego

Licenciada em Jornalismo, pela Universidade de Coimbra, e Mestre em Cultura, Património e Ciência, pela Universidade do Porto. Jornalista na Conexão Lusófona e crítica musical nos tempos livres (que são todos, porque não gosta de se sentir enclausurada). Ativista. Vegetariana. Apaixonada: por música, pela interpretação da vida e pela Arte de revolucionar.

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