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Viver em Comunidade

Confesso que este é um tema sobre o qual tenho perdido algum tempo a pensar e a observar. O ser humano é curioso e tem muitas particularidades, até aqui nada de novo, porém quando se empolga pela “luta” do que merece ter, torna-se caricato!

Obviamente que o conceito de comunidade ou viver em comunidade, aliás como tantos outros temas, é suscetível de diversas interpretações e visões. Nesta reflexão, gostaria de usar como ponto de partida os direitos e deveres dos cidadãos, onde se entende que o cidadão pode cobrar ao Estado o cumprimento dos direitos mas para isso é preciso que seja um cidadão que cumpre com os seus deveres.

Até aqui tudo bem, ambas as partes têm de cumprir com os seus deveres para que tudo funcione de forma ordenada e justa. E sim, também sabemos que o Estado nem sempre é o melhor exemplo no cumprimento das suas obrigações (essa é outra reflexão).

Assumindo, então, que o Estado na figura de uma Câmara Municipal ou de uma Junta de Freguesia começa a mostrar trabalho: repavimentar estradas, reordenar trânsito, melhorar acessos para pessoas com mobilidade reduzida e não só, constrói parques infantis, planta árvores, cria zonas de jardins e melhora os espaços públicos etc. etc. Aos pouco a comunidade local vê que tem passeios à saída de casa, jardins, passadeiras, estacionamento devidamente identificado e por ai fora. Mesmo que os melhoramentos não aconteçam no ritmo desejado, que seria – de hoje para amanhã – as coisas começam a melhorar e a ganhar forma.

E o que fazem estas pessoas?

Reclamam.

E porquê?

Porque não é suficiente, nunca nada é suficiente. Porque pagam muitos impostos. Porque afinal a vizinha do segundo andar anda em cadeira de rodas e não tem uma rampa no fundo da rua ou na entrada da pastelaria. Porque os cães de toda a vizinhança deixam poias gigantes no novo relvado lustroso. Porque antes era o partido X e agora é o Y e vê-se logo quem está feito com quem. Porque, afinal, não regam as árvores que plantaram (ainda que se roubem as flores do jardins de todos para pôr num vasinho lá em casa), deixem o lixo amontar da rua, não pensam nas crianças, não pensam nos velhos… uma infindável lista de tudo o que ainda não se fez!

E é desta forma que as pessoas assumem um papel ativo na sociedade, legitimados pelo pagamento excessivo de impostos, reclamam! Não fazem mais nada, apenas isso. Empurram para cima do Estado toda e qualquer responsabilidade, porque pagam impostos e isso basta!

Este tipo de atitude e mentalidade já não dá. Podemos e devemos exigir mais e melhores condições de vida. Por isso, o Estado deve cumprir a parte dele para que isso seja possível. Só que, lamento informar, o Estado não é Deus omnipresente… não consegue estar em todo o lado e fazer tudo ao mesmo tempo. E assim sendo, os cidadãos fazem o quê?

Os cidadãos deveriam aprender a viver em comunidade, que entre outras, tem como definição: “qualquer conjunto de indivíduos organizados de forma coletiva ou unidos por algum traço comum”. Ou seja, aprenderem a zelar de forma ativa pelos espaços onde vivem. Sei que dá trabalho ter de meter a mão na massa, não devem esperar que o Estado tenha mil olhos e mãos para regar plantas, reparar baloiços, apanhar lixo ou cocós de cão…

Basicamente, o que é necessário – aos cidadãos – é reaprenderem o que é ser CIDADÃO. Todos gostamos de ver as coisas cuidadas na nossa praceta, as árvores e as plantinhas a floresçam mas para isso podemos também regar, cuidar, limpar ou plantar. Se temos brio com a nossa casa, não me parece descabido termos brio pela nossa rua. Da mesma forma que aprendemos a fazer a reciclagem e que andamos a ensinar os miúdos para a defesa do ambiente e os malefícios dos plásticos, também precisamos de dar o exemplo cuidando do que é nosso.

Se o Estado constrói um parque infantil ou um jardim, faz porque a comunidade precisa e porque o dinheiro dos nossos impostos tem de ser bem aplicado em prol da comunidade. Ora se o dinheiro é nosso, NOSSO de todos os cidadãos, também nos cabe o papel de zelar e cuidar deles. É tão simples, mas parece que ninguém quer entender isto.

Afinal de contas, o Estado somos todos nós, quando um dá o exemplo o outro deve segui-lo sempre foi assim, chama-se evolução.

Vamos lá evoluir todos juntos!

Photo by Daniel Funes Fuentes on Unsplash
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Sofia Cortez

Sofia Cortez (1978, Lisboa) marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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