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Uma nova crise imobiliária à espreita?

Quando se fala em grandes investimentos, o mercado imobiliário é sem dúvida o mais conhecido. Porquê? Talvez, porque todos precisamos de um telhado por cima da cabeça. Culturalmente, os portugueses preferem comprar a arrendar. Lá vem o sábio ditado: “filho/a, o que é teu não te podem tirar”.

No entanto, a última crise financeira, desencadeada pela bolha no imobiliário, veio mostrar-nos o contrário: famílias perderam parte ou todo o seu rendimento, deixando de poder pagar a hipoteca de casas com preços inflacionados. Isso foi em 2008 e já há rumores que se aproxima a próxima. Nas grandes cidades de Portugal, já ninguém consegue comprar ou arrendar casa. Quem opta por comprar, não tem opção senão procurar na periferia. Quase não há diferença entre pagar renda ou hipoteca. Portanto, a compra parece fazer sentido.

Se a especulação imobiliária é uma bomba relógio, talvez tenhamos de pensar no que leva à subida de preço dos imóveis e terrenos. Um dos factores mais conhecidos e uma realidade bastante recente, é o turismo: Portugal é a nova descoberta, principalmente dos europeus, mas não só. Como se explica isso? Não é mero acaso certamente. Se aprofundar o tema, rapidamente descobrirá que por detrás estão estratégias, políticas e/ou interesses de quem está no poder ou fora dele, mas com certeza com poder para influenciar organismos públicos, que, sendo dirigidos por pessoas, dificilmente tomam decisões isentas e de interesse público.

Feito este aparte, parece lógico que uma infinita escalada de preços não é viável. O mercado imobiliário é uma parte importante de um sistema económico – um ciclo de riquezas traduzido pela moeda vigente que deveria ter o equivalente em bens. A crise instala-se, quando isso deixa de ser verdade, a moeda deixa de ter correspondência real com os bens existentes. A quem fica surpreendido com isso, peço apenas que olhe para a história: quantas crises conseguimos contar nos últimos 150 a 200 anos?

Sabemos, portanto, que as crises acontecem e surge, por isso, uma dúvida: podem ser evitadas? Se sim, porque nunca foram tomadas medidas para tal? Ora bem, chamemos para cá novamente a história, se quiser da Europa, visto que os diferentes poderes com algumas pequenas variações (cada vez menos em nome da UE) são grosso modo idênticos. Parte dos estados passaram de sistemas feudais para repúblicas ou, então, monarquias constitucionais. Com pouca imaginação, facilmente se consegue ver as semelhanças com os poderes actualmente instituídos, basta semicerrar os olhos.

Onde quero chegar com esta comparação? De outros tempos para os dias de hoje, apenas assistimos a uma mudança de denominação de poderes por assim dizer. Não houve verdadeiramente uma transferência de poder de uma minoria para o povo. Quem está no poder agarra-se a ele e tenta assegurar que assim permaneça para a sua descendência. Uma visão fatalista, dirão muitos. Contudo, vejo aqui uma oportunidade: a de aprender a ler a sociedade, os mecanismos por detrás da mesma e assim não se deixar levar por uma engrenagem que não nos convém.

História e economia vão sempre de mãos dadas e, se individualmente começarmos a perceber esses mesmos mecanismos, mais facilmente podemos evitá-los. Quem não gosta de corresponder à imagem glamorosa de uma pessoa que tem determinado carro, uma mansão e tudo o que acompanha esse estilo de vida? Agora, pare para pensar: porque é que isso importa? Será que não está a valorizar demais a opinião dos outros acerca de si?

No entanto, é isso que todos querem – status! É legítimo… E se aquilo que realmente quer fosse algo bem diferente, algo que não é imposto por uma fonte qualquer externa – os mass media e todas as suas estratégias de marketing? Quem comanda esses grandes poderes? “Todos” é o mesmo que dizer “massas”. É isso que quer, ser igual a todos os outros? Só pensando (diferente) é que conseguimos escapar às crises imobiliárias ou outras!

Lucie Marinho

Eu não sou ninguém, apenas aquilo que tenho de ser para mim própria, e assim, poder ser para os outros. Não acumulo feitos nem glórias, sou somente o cumulativo das minhas escolhas ou a falta delas! E neste percurso, apercebi-me que procuro o brilho de um pensamento claro, perdido no caos da ilusão. Apenas essa consciência, torna-me feliz: encontrei o meu caminho!

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