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A partida da chegada

Em algum momento, uns mais que outros, já pensamos “como será viver noutro lugar que não o nosso?”, ainda que dentro do mesmo país. Para alguns este é apenas um mero pensamento. Para outros, é algo que gostariam de vivenciar e colocar em prática.

Se, para alguns, sair da terra onde moram pode significar ir apenas em busca da aventura, para outros (e acredito que seja a maioria) é uma tentativa de terem uma vida melhor. Entenda-se que essa busca pela dita vida melhor não pressupõe que seja sempre pelo motivo financeiro. Pode ser pela procura de estabilidade emocional, de segurança, de uma melhor saúde e/ou educação.

Contudo, independentemente do que move todas estas pessoas, estou certa que todas têm em comum… o sonho. O sonho por uma felicidade que acham que não conseguem ter no lugar onde vivem, seja quais forem as motivações que as levem a pensar isso.

Nos anos 60, neste nosso país, muitos foram os que, com pouco mais do que uma década de vida saíram da sua terra natal em busca do sonho.

Estou em crer que, efetivamente, a maioria tenha alcançado essa “vida melhor”, mas à custa de uma infância completamente perdida e solitária. E, tendo a infância uma importância tão mas tão relevante na vida de todos nós, em adultos, as mazelas dessa (não) infância são irreversíveis e marcantes, muito embora, a “corrida” do dia-a-dia tenha camuflado isso na maioria deles.

Desengane-se quem acha que ser Migrante é mais fácil do que ser Emigrante ou Imigrante. Lá porque se muda apenas de cidade tendo permanecido dentro do seu país, não significa que essa maior proximidade face a quem muda, efetivamente, de país, não seja igualmente devastadora e agonizante.

A mudança de vida é sempre algo muito difícil (Se é!). No entanto, quando o fazemos rodeados de amor, com a proximidade dos que amamos que, ao nosso lado, nos ajudam e amparam no trilhar do novo caminho, tudo se simplifica. Tudo se simplifica de tal forma que nem nos apercebemos que a mudança já foi feita e que, afinal, foi tudo tão fácil.

Porém e como será uma mudança desta natureza sem ter ninguém para nos apoiar? Como será uma mudança para todos aqueles que saem da sua terra natal e cujo destino é para um lugar onde ninguém os espera? Onde não há apoio, abraços e onde começar de novo é sinonimo de começar completamente sozinho? Será difícil, muito difícil! Impossível até de imaginar.

É por isso que tenho em mim uma enorme admiração por todos os que saíram das suas terras, dos seus lares, do regaço de suas famílias para encontrar, como diz a celebre frase, uma “vida melhor”. Procurar mudar de vida neste formato é quase heróico. Heróico e admirável é, também, o meu querido pai que, aos 11 anos de idade, na década de 60, perante o cenário de pobreza que o interior de Portugal vivia, foi “obrigado” a sair da sua terra para encontrar num outro lugar do seu país a tal “vida melhor”. Conseguiu, claro que conseguiu, mas à custa de uma infância roubada, sem a tão importante presença dos seus pais.

É por isso que, por mais triste que seja, por vezes, ouvirmos de quem gostamos “vou regressar” seja perfeitamente compreensível. Como não entender quem quer voltar aos braços dos pais, avós, amigos, filhos… que fazem parte de si e que nunca se esqueceram? Tem laços de amor inquebráveis!

Às vezes é preciso “inverter a marcha” e regressarmos ao “nosso lugar” tão-somente porque lá estamos rodeados do mais importante… do amor!

Por mais que se formem “novas famílias” e novos afetos, há amores absolutamente insubstituíveis e inigualáveis.

Assim é a força do amor!

Ana Ferreira

Nasci nos anos 80 na minha maravilhosa cidade que é Lisboa. Cresci com o valor do trabalho muito presente na minha vida e é de lá que tiro grande parte da minha realização pessoal. Acredito que a vida só faz sentido se nos regermos por uma busca incessante pela felicidade. Acredito no amor como a base fundamental da vida. Sou obstinada e determinada e raramente desisto dos meus objetivos.

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