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Too soon

Demasiado cedo ou num instantinho?

Demasiado cedo antes de ser demasiado tarde.

É sempre demasiado cedo para qualquer coisa, achamos nós, mas a vida é um ai e nada será demasiado cedo para quem quer viver na intensidade e na plenitude. É demasiado cedo para casar, para viajar, para ter obrigações, para ter filhos, para trabalhar ou mesmo apenas para a pura diversão.

É demasiado cedo para rir de uma desgraça ou dizer os disparates que nos surgem em modo piada quando as coisas não correm bem. É demasiado cedo para vivermos, porque agora é tudo para cada vez mais tarde.

E adiamos a nossa vida, diariamente, à espera do momento ideal, da oportunidade certa, daquela hipótese que promete chegar um dia. Aquele sonho que se adia, apenas porque ainda não estamos preparados, mas que temos a certeza que vai chegar… um dia!

E porque agora não dá jeito ou porque temos outras obrigações a atender. Adiamos e adiamos, ainda é demasiado cedo, ainda há tempo…

Contudo, um dia, naquele dia em que acordamos e tomamos consciência, o demasiado cedo foi transformado no demasiado tarde. A partir desse dia, a esperança fica velha e triste e olha para nós com lágrimas de saudade.

Não existe o “demasiado cedo” que nos faça encontrar o tempo certo, sem o risco de nos esbarrarmos no demasiado tarde. Estou consciente da minha idade. Quase meio século.

Isto de viver passa depressa demais. Ainda ontem não tinha consciência de nada, brincava sem preocupações, o meu único receio era ter más notas e que os meus pais se zangassem comigo.

E era feliz sem saber. Durante a minha infância parecia que apenas um velhote poderia morrer, e para ser velhote demorava uma eternidade. E quem diria? Ter 50 anos era ser velhote. Fazia contas de cabeça para ver que idade teria no ano 2000. Credo, faltava tanto! E eu seria crescida. Quase com 30 anos. Meu Deus, estaria já uma senhora, quem sabe mãe e seria eu a dona do meu destino. Não fazia mal, ainda faltava tanto…

Contudo, foi um instantinho. Um instantinho cheio de coisas boas e coisas más, mas tudo passou demasiadamente rápido. E eu cresci, aprendi, sorri, chorei muito, desejei, senti, vivi e adiei. Adiei muitas coisas. E o tempo passou. Chegou o ano 2000 e depois o 2001… E já cá estamos 21 anos depois.

Vivo agora uma situação nunca antes pensada, nem nos meus mais terríveis sonhos. Todos os dias, estou mais consciente de que a vida é efémera e que temos que aprender a sentir cada momento como se fosse o último. Que temos de esticar cada segundo saboreando cada pedacinho da nossa breve vida e torná-la grandiosa a cada batida do nosso coração. Apreciar a vida, amar e sobretudo sentir é o que nos dará a ilusão de que o tempo não é um velocista à procura de um prémio.

Já não faço grandes planos, já não me permito sofrer por antecipação, já não anseio pelo amanhã. Vivo hoje, segundo a segundo, nas calmas, como se estivesse à deriva, sem pressa de encontrar um norte. Já não adio e tento ser o momento. Segundo a segundo.

E, mesmo sem chão, flutuo nestes novos tempos com a esperança de que o tempo que me resta ainda me traga coisas boas.

Se ainda houver tempo!

Ana Marta

Ana Marta, nascida em Sintra a 22 de Abril de 1971 e mãe de 3 filhos, desde cedo revelou o seu interesse pela escrita e pela Literatura, começando por escrever pequenos poemas durante a adolescência, época em que estudava Literatura Portuguesa. Ávida leitora desde que aprendeu a ler, sempre consumiu livros dos mais variados géneros literários e escrevia, em diários, textos sobre o que o seu coração sentia. Algumas décadas mais tarde, viria a publicar num blogue intitulado "Inexplicavelmente", textos da sua autoria e que, mais tarde, atraíram milhares de seguidores na sua página de Facebook, atualmente "ANA MARTA". Em 2020, lança o seu primeiro livro "Inexplicavelmente".

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