“Peste Cinzenta”, a resistir há cerca de 70.000 anos

Companheira do Homem, há mais de 50.000 anos, a tuberculose, também conhecida como a “peste cinzenta” é das doenças que mais tem flagelado a Humanidade. Originada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a tuberculose, sendo uma patologia infecciosa que é socialmente determinada, isto é, prolifera graças à forma como estamos organizados em sociedade, apresenta um alto grau de resistência, o que a torna uma das doenças mais difíceis de curar.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que anualmente morram entre um a dois milhões de pessoas, vítimas da tuberculose, com especial incidência no continente Asiático, Africano e Europeu. A tuberculose pulmonar é a variante mais comum da doença, podendo afectar diversas partes do corpo, como a laringe, os ossos e as articulações, a pele, os gânglios linfáticos e até o sistema nervoso. A sua cura é um processo longo e moroso, pois o nível de resistência aos antibióticos varia consoante a estirpe de tuberculose.

Num estudo recente, publicado na revista científica, Nature Genetics, foi concluído que a rápida mutuação da bactéria, que causa a tuberculose está a tornar-se cada vez mais resistente aos antibióticos que combatem a doença. Em média, o tratamento da tuberculose requere uma combinação de 2 a 4 antibióticos entre si, num período mínimo de 6 meses, porém existem casos em que a medicação tem de ser administrada para o resto da vida.

TuberculoseAssim, a desistência por parte de alguns pacientes, que interrompem o tratamento a meio, acaba por ser um obstáculo que impede a cura total desta infecção, sendo que, esta é uma dificuldade que assume outras proporções, quando a doença se manifesta numa criança tornando-se fundamental o papel dos pais.

Em Portugal, apesar de a tendência apontar para um abrandamento da doença, registando-se um diminuição gradual a partir de do século XX, esta patologia é um problema grave. Em 2011, em cada 100 mil portugueses cerca de 22 foram diagnosticados com tuberculose, sendo o quinto país da União Europeia com a maior taxa de incidência desta doença.

Para que esta doença, que acompanha o Homem há milhares de anos, seja finalmente erradicada, os diferentes organismos responsáveis pela saúde pública, os centros de investigação que exploram novos campos e a indústria farmacêutica, na tentativa de descobrir métodos mais eficazes no combate à tuberculose, tem de cooperar conjuntamente a fim de encontrarem as melhores soluções para a impedir a rápida mutação da “peste cinzenta”.

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