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Comporta: memórias de mar e de reflexão

Comporta: memórias de mar e de reflexão

Quando penso na praia da Comporta remete-me sempre para os meus tempos de adolescência em que passava uma parte do tempo das férias escolares com os meus pais e irmã numa casa que alugávamos nessa zona do Alentejo que considero paradisíaco.

A praia da Comporta situada no extremo sul da Península de Troia, reserva natural do estuário do Sado, destaca-se por uma beleza ímpar, rodeada por vegetação de pinheiros e também por uma área preservada por vegetação dunar original, em que a praia oferece um cenário quase idílico para criar momentos e memórias inesquecíveis.

O mar sempre foi uma enorme paixão que preservo desde a infância, talvez por que comecei a ter contacto com ele desde muito nova numa infância que sempre recordo com carinho e saudade. Observar um extenso areal dourado, muitas vezes deserto de tudo, em que o ondular das ondas contrastam com os salpicos de espuma na areia, são momentos que não esqueço e que perduram até hoje quando vou à Comporta contemplar um bom pôr de sol ou estar com amigos e família.

O mar da Comporta tem características que permitem a prática de alguns desportos náuticos, tal como o Surf ou Kitesurf que tem tido uma particular adesão nas várias faixas etárias entre estrangeiros que gostam de praticar este desporto e igualmente com muitos praticantes em Portugal. Esta praia, com pontuação de excelência pelo areal sempre limpo, livre de maiores ruídos ensurdecedores de grupos desorganizados e, também pelo nível de água límpida, está no ranking de muitas praias europeias e tem-se distinguido por tornar-se no palco de grandes competições internacionais.

O meu pai costumava dizer que a Comporta era conhecida, tanto por um maravilhoso pôr do sol, como sob um céu estrelado em tempo quente de verão onde as lembranças ganhavam uma vida peculiar, não esquecendo as águas calmas e o areal de perder de vista que convidava a longas caminhadas e as experiências de grande tranquilidade.

A história da praia da Comporta está muito ligada à Herdade da Comporta, uma propriedade agrícola que remonta ao século XIX e que abrangia originalmente a maioria das aldeias e vilas, incluindo a área que foi o berço de salinas, de comunidades de pescadores e campos de cultivo de arroz. Esta região começou a atrair grandes personalidades de perfil do jet ‘set’ e após 2014, com o colapso do Banco Espírito Santo, a Herdade foi adquirida pelo Grupo Amorim.

Atualmente, a Comporta é conhecida pela preocupação com o ecossistema local, pela preservação da natureza e espécie animal, destaca-se por uma arquitetura de design ecológico tipicamente alentejano, mas sustentável.

O sol de agosto, mês típico de férias e de descanso, ergue-se lentamente no horizonte e as memórias da Comporta que me acompanham surgem como ondas suaves que, para além de estarem plenas de alguma nostalgia, revelam-me quase uma beleza intocada.

Aliás, estes momentos únicos que só posso preservar como um feliz tesouro de tantos verões passados, de risos compartilhados entre amigos, almoços e jantares de grupo em que os aromas de verão, os churrascos, pratos típicos e bebidas relaxantes convidam a tempos de maior descontração e de tranquilidade.

Continua muito presente no meu pensamento, as longas caminhadas que já fiz pelo areal dourado ao longo da costa, em que a brisa salgada salpica-nos a face de uma frescura característica, contemplamos as gaivotas que rodopiam no seu voo como se fosse uma “dança” para buscar comida – todo um quadro que é um convite para recolhimento e diria até de introspeção, uma gratidão ao estar-se vivo e acolhermos tamanha beleza à beira-mar.

A praia da Comporta, para além de ser um local de memórias únicas que guardo, é também uma fusão do meu passado com o meu presente. É fotografar tantas paisagens que são páginas preenchidas com os melhores momentos, é recordar as melhores lembranças quer dos meus pais, quer dos meus verões em que a passagem do tempo não se sentia, aliás, queria que o relógio avançasse rápido para chegar à maioridade e ter a tal “maturidade” que só ganhamos, na verdade, quando crescemos a “sério”. No meu caso, amadureci muito cedo para uma criança de 13 anos que já pensava como se tivesse 18 que, sonhava avidamente em chegar à tal “independência” que se conquista com responsabilidade e maturidade no tempo certo.

Cada visita que faço à praia da Comporta, que tento sempre que é possível cada ano, são uma oportunidade única de adicionar mais um capítulo à minha história de vida, relembrar experiências passadas e, sobretudo, a ser grata a memórias tão boas.

A praia da Comporta é, talvez a mais conhecida entre outras da mesma zona, como a praia do Pêgo ou praia do Carvalhal, que inspira certamente quem as visita pela paisagem serena e a vastidão que o nosso olhar não consegue acompanhar e que se deleita sem dúvida, por uma autêntica exuberância e profusão do bem-estar que nos causa.

Voltar a esta praia é sempre um prazer e um convite à entrega de momentos e sensações inesquecíveis.

 Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico

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