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Será que ver o lado positivo está fora de moda?

Não é só no telejornal que a realidade é apresentada numa perspectiva negativa. Parece-me que a sociedade em geral está a desistir de extrair o lado positivo da vida. É certo que atravessamos uma provação enorme decorrente da Covid e dos seus efeitos colaterais e não é minha intenção cometer nenhuma heresia nem ter a pretensão de pregar a ditadura da felicidade. Nada disso. No entanto, sinto que estamos a abandonar o lado bom e bonito da vida, inclinando-nos para o tom mais cinzento, para o julgamento fácil e para as verdades absolutas, deixando pouco espaço à abertura, ao diálogo, ao bom-senso, às conversas agradáveis e, claro, ao lado positivo da vida.

Basta vermos as redes sociais e a tendência para o deprimente, para a desgraça, para as intrigas e para os aspectos mais dramáticos do quotidiano, onde as alegrias parecem não trazer satisfação nem ser assunto. Muito pelo contrário, quem vê o lado belo das coisas é rotulado de tolinho ou ingénuo.

Pois eu diria que escolher viver em positividade é ser competente, ainda que muitas vezes em condições adversas. É ter inteligência emocional e ser criativo. Considero, por isso, que um dos grandes desafios da vida é pegar nos limões amargos que nos vão aparecendo e com eles fazer limonada. Para mim, é aqui que reside a nossa criatividade: ter competência para transformar acidez em doçura e para contagiar os outros em alegria e optimismo. Dá trabalho, e dependendo das circunstâncias é quase impraticável, mas penso que dará mais trabalho ser infeliz e deixar-se corroer pela amargura.

De uma forma ou de outra, todos conhecemos o sabor da tristeza. E também sabemos que é um estado que nos consome e encolhe, por dentro e por fora; adoece-nos; apaga-nos e tolda-nos as vistas para admirarmos as papoilas na Primavera e as cores bonitas do Outono. Por isso, se cada um de nós puser em prática a sua criatividade para acreditar e ver o lado colorido da vida, tenho a certeza de que o mundo será um lugar mais empático e simpático.

Como eu gostava de ver mais títulos felizes nas crónicas dos nossos dias. Também gostava que os telejornais abrissem com boas notícias, até porque elas existem, efectivamente. Gostava que as pessoas sorrissem mais, que se elogiassem mais, que se declarassem mais e que promovessem mais encontros felizes. Gostava mesmo que os amigos tomassem café mais vezes juntos. Também gostava que os amigos fossem mesmo amigos e que parassem de reclamar dos desencontros.

Creio que tudo isto não é utópico. Em vez de dizermos mal da nossa vida, e da vida dos outros, porque não deixar de ver a preto-e-branco e abrir novas janelas que dão para a luz? Antes de reclamarmos do que não temos, que tal agradecermos pelas coisas boas que a vida nos dá e que tantas vezes desabonamos?

A vida não passa de uma curta-metragem. Temos aos nossos pés o azul do mar, as flores do campo, as cores do Outono, o cheiro a maresia, as esplanadas ao Sol, o estalar dos nossos dedos e as conversas do fim de tarde, tudo a um palmo de distância. Grátis.

Manuela Gonçalves Pereira

Madeirense. É licenciada em Comunicação Social, tendo enveredado pela comunicação organizacional, área em que exerce a sua actividade profissional. Inspira-se em tudo o que a vida oferece para escrever e fotografar, encarando o sentido de humor como uma forma de desconstruir preconceitos. Lema de vida: em tudo há sempre uma oportunidade...

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