Respeito

“Respeito”. Tudo começa pela ausência de respeito, pelo próximo.

Numa altura em que a comunicação social enche os olhos e o pensamento de tudo e todos, pela trágica morte de Fábio Guerra, vão trazendo alguma revolta sobre a forma como elementos das forças de segurança são tratados, bem como os homens que pertencem às instituições militares, existentes em Portugal.

Obviamente que foi trágico o que aconteceu, mas antes de Fábio Guerra, houve Bruno Chainho, Nuno Anes, Irineu Diniz, Carlos Caetano entre tantos outros. E o que aconteceu após esses tombos? O ruído diminuiu e tudo e todos os esqueceram, à excepção dos seus laços directos, pois, claro.

A ênfase que dão à notícia é legítimo, mas então e tantos outros jovens agredidos violentamente às mãos de tantos outros e que acabam por pagar da pior forma, com a perda da própria vida.

A violência gratuita está instalada e está mesmo ao virar da esquina, ao alcance de qualquer um de nós, quer seja polícia, professor, enfermeiro, lojista, desempregado, sem-abrigo… e isto quem decide não vê e quem protege tenta evitar, algumas vezes com o sacrifício da própria vida.

A acção de António Doce, o agente da PSP de Évora, aquando da situação de violência doméstica em plena via pública, onde o mesmo fora de serviço se intrometeu, foi também enaltecido por tudo e todos e depois? Tombou, aos olhos de todos, em prol do próximo. Quem tem o poder de decidir alguma coisa, o que fez em prol dos que cá continuam a fazer o seu serviço? O que fez a comunicação social a favor da segurança dos restantes contribuintes de bem, residentes em Portugal?

Não é uma questão de ser agente das forças de segurança, mas sim o Respeito que se tem pelo próximo, o Respeito que se coloca hoje em dia na vida de alguém.

Bruno Chainho, militar da GNR perdeu a vida em serviço, fazendo o que de melhor sabia fazer, respeitar e fazer respeitar, mas tombou, às mãos de quem não respeitava. Bruno Chainho, antes de ingressar nos quadros da GNR, era orgulhosamente “Fuzo”! Era Fuzileiro! E antes de ser Fuzileiro, era um Homem, um rapaz, filho, amigo, colega de alguém, como tantos outros que perderam a vida de forma violenta, de forma gratuita.

Nada tem a ver com tropas de elite, treinos duros ou teatros de guerra… respeitem as instituições, a história, a heráldica.

Quantas pessoas precisarão de cair às mãos da violência, gratuita, seja qual for a sua profissão?

Respeito, tudo começa pelo Respeito ou ausência dele.

Daqui a uns dias, a comunicação social vai arranjar outra situação, e o telespectador vai aos poucos esquecendo Fábio Guerra, como tantos outros esquecidos por esta sociedade.

Num ano em que já se anda a preparar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril (ocorrido no ano de 1974), parece que o Respeito, que deve andar de mão dada com a Liberdade, para garantir uma Democracia digna desse nome está um pouco empobrecida.

Tenho dito.

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