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Sociedade

Negócio do Sexo no Iraque

Este é o título de um documentário que vi na RTP3 na rubrica documentários (DOC), e que partilho no link que poderão ver, se tiverem curiosidade na RTP Play:

https://www.rtp.pt/programa/tv/p39299

Como o próprio nome indica, está relacionado com os negócios do sexo no Iraque mais concretamente em Bagdad, no entanto, com esta descrição parece ser mais um documentário sobre prostituição ou algo do género e não é! Tem muito mais conteúdo do que apenas a questão do sexo. Vale a pena ver, para que sintam como eu senti, que é um privilégio vivermos onde vivemos e nesta sociedade que tanto criticamos. Obviamente que temos muitas questões para melhorar e para resolver mas longe, muito longe dos problemas que estas mulheres enfrentam diariamente.

Em primeiro lugar, o Iraque e grande parte, se não toda a zona do Médio Oriente, vivem em constantes conflitos, este fator por si só, torna a vida nesta região “desafiante”. As guerras, a instabilidade politica, a pressão religiosa e a cultura tornam esta zona do mundo difícil para se viver. E ainda mais difícil para as mulheres e crianças.

Anos e anos de guerras deixaram milhares de crianças órfãs e deixaram milhares de mulheres viúvas entregues à sua sorte! As famílias, como acontece noutras culturas, por exemplo na India, consideram as mulheres “um estorvo” e uma preocupação. As mulheres podem engravidar, “deixar-se engravidar” fora do casamento ou a partir do momento em que se tornam férteis e isso exige um controlo familiar permanente e rigoroso, por outro lado, são uma despesa para o patriarca uma vez que cada mulher corresponde a um dote e por isso terá de pagar ao futuro marido para ficar com ela.

As mulheres que ficam viúvas são muitas vezes abandonadas pela família, ficam sozinhas no mundo e entregues a si mesmas, tornam-se pedintes na rua ficando vulneráveis a todo o tipo de solicitações. A independência de uma mulher no Iraque, sem um marido, é não só uma questão de sobrevivência como uma miragem, socialmente são marginalizadas, excluídas e deixadas completamente ao abandono. Recorrem ao clérigo local para ajuda.

Contudo, o negócio do sexo é levado a cabo por clérigos em alguns dos mais sagrados santuários no Iraque, ou seja, as pessoas que deviam ajudar, que deviam cumprir as leis de Deus e proteger “as ovelhas” do rebanho, são as mesmas que estão a fazer crescer o lenocínio no Iraque. Este documentário revela como alguns clérigos arrastam jovens mulheres para a prostituição. Não vou explicar como se processa esta dinâmica para que assistam ao documentário e tirem as vossas próprias conclusões.

O que é feito e aceite culturalmente no Iraque com “casamentos” que duram horas, dias ou semanas para que os homens possam ter sexo com mulheres ou crianças em condições vulneráveis sem que sejam “punidos” pelas leis divinas, transcende a compreensão. Estes homens pagam para se servirem sexualmente destas mulheres, qualquer uma que seja que na maioria não são sequer prostitutas, são enganadas e vendidas. Uma mulher apanhada neste esquema fica com a vida perdida. Muitas tentam fugir, outras suicidam-se e algumas são mortas pela família pela desonra.

Vejo habitualmente muitos documentários e devo dizer-vos, que este marcou-me profundamente. É incompreensível que existam lugares no mundo onde a vida de uma mulher não vale nada, onde ser-se mulher é uma sentença, não têm direitos individuais ou sociais alguns, estão entregues à sua sorte. Se tiverem o azar de realizarem um mau casamento estão sempre dependentes da boa vontade do marido e se este optar pelo divórcio a vida delas acaba ali. É chocante e muito revoltante.

A sorte e tudo o que tenho como garantido por viver onde vivo e por ter crescido neste local do mundo, custa a vida a milhares de mulheres diariamente no Iraque.

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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