Portugal de duas rodas

Após um crescimento acentuado durante a Pandemia, as vendas de bicicletas abrandaram acentuadamente na Europa em 2022. Contudo, as bicicletas elétricas continuaram a crescer, informou na terça-feira dia 20 de junho de 2023 a Confederação Europeia da Indústria de Bicicletas (Conebi).

Analisando os números, estamos a falar de 14,7 milhões de bicicletas sem assistência elétrica vendidas em 2022 na UE e no Reino Unido, uma queda de 9,1% em relação a 2021. No entanto, as bicicletas elétricas atingiram um recorde de 5,5 milhões de unidades (+ 8,6%), com a Alemanha, França e Holanda a liderar o caminho. Em termos práticos, uma em cada quatro bicicletas vendidas na Europa é elétrica.

É verdade que o número de bicicletas produzidas na Europa diminuiu ligeiramente, para 15,3 milhões (-5% em relação ao ano anterior), mas o número de bicicletas elétricas produzidas aumentou fortemente, para 5,4 milhões de unidades (+19%). Este sector industrial representa 180.000 empregos, enquanto as 60.000 lojas de bicicletas representam 200.000, segundo a Conebi.

E no que toca a produção de bicicletas Portugal mantém, há três anos consecutivos, o título de maior produtor de bicicletas da Europa, tendo-se registado um aumento nas exportações mesmo durante os anos de pandemia.

“Portugal é o maior fabricante europeu de bicicletas há três anos seguidos. As exportações do setor cresceram 4% em 2020, 39% em 2021 e 37% em 2022, ultrapassando os 800 milhões de euros”, disse Armando Levi, presidente da ABIMOTA – Associação Nacional das Indústrias das Duas Rodas, Ferragens, Mobiliários e Afins, com sede em Águeda, no distrito de Aveiro.

Contudo, Armando Levi avisa que é preciso dar mais um saltinho para atingir outro patamar e, para isso quer, criar um centro de tecnologia e inovação ao melhor nível mundial em termos de investigação e desenvolvimento no setor das duas rodas e mobilidade suave. Isto, porque, segundo as palavras dele, “neste campeonato, não basta ser bom. Nós, temos que ser dos melhores e Portugal não pode perder o pelotão”.

Quem apostou recente no mercado das duas rodas é a empresa cotada em bolsa, a Semapa.

A Semapa comprou recentemente a Triangle’s, uma empresa em Águeda que produz quadros para bicicletas elétricas, por 178,7 milhões de euros, segundo comunicou à CMVM.

A Triangle’s foi fundada em 2015 e é uma referência mundial na produção de quadros para e-bikes e conta com várias marcas prestigiadas do setor no seu portfólio de clientes.

A quase totalidade das vendas da fabricante aguedense tem a exportação como destino ou seja 9 em 10 bicicletas vão para o estrangeiro. No ano passado, o volume de negócios atingiu a marca de 36,7 milhões de euros.

Ricardo Pires, CEO da Semapa, quer reafirmar a posição da empresa cotada no PSI20 em apostar em setores de futuro combinando objetivos de descarbonização e sustentabilidade com perspectivas de crescimento, além de ser mais um passo importante no novo ciclo de investimento e diversificação da empresa.

Apesar das bicicletas tradicionais estarem a perder mercado, o futuro está nas bicicletas elétricas que, além de serem amigas do ambiente, também permitem ser um meio de transporte mais eficaz, porque permitem ir mais longe e com menos esforço. Portugal continua a apostar fortemente no mercado das bicicletas e os novos investimentos são prova disso. Não será por isso nenhuma surpresa Portugal continuar a ser líder europeu de produção de bicicletas nos próximos anos.

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