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Do outro lado da vida!

Hoje sentei-me do lado de cá.

Queria  ver de que cor era o sentimento que vivia comigo há tanto tempo. Precisava de observá-lo sem que ele reparasse em mim.

Hoje, cansada de sofrer, apetecia-me saber como estava saber como estava o tempo do lado de fora da vida. Queria sentir na pele o frio do Inverno, ou quem sabe embrulhar-me numa manta feita com os retalhos de todas as minhas recordações. Queria ficar ali a ver passar quem já fez parte de mim e que agora já não me aquece, nem me arrefece.

Pela manhã não parei, como habitualmente, em frente ao espelho. Não me quis ver, já me começam a pesar os anos, sem que queira admitir que estou a ficar velha.

Por isso mesmo, passei ao lado de tudo o que sou para me poder sentar calmamente na esplanada da vida. Precisava de me ver do lado de lá para perceber se me iria reconhecer quando passasse por mim e me visse assim cansada e com os pés já demasiado habituados a arrastarem-se pelas ruas que agora parecem mais longas. Talvez até conseguisse contar os cabelos brancos e chegasse à conclusão de que são tantos que o melhor é nem sequer perder tempo a contá-los.

Queria ser espectadora de mim mesma. Ver como era o meu desempenho nesta peça de teatro, que começou mas não sei quando e como irá acabar.

Sentei do lado de lá com a vida. Ficamos ali juntas a pensar no quanto é longa a nossa amizade. São tantos anos desse tempo que não nos pesa na alma, nem a mim nem a ela. Somos as duas bem fortes. Crescemos juntas e somos tão iguais que seria capaz de jurar que quem nos visse ali sentadas iria pensar que talvez fossemos gémeas. Somos tão iguais quem ninguém nos saberia distinguir.

No entanto, eu sei quem sou, e também sei quem a vida é. Eu estou sentada do lá de cá enquanto a vida continua na sua poltrona, afinal sempre foi ela que desse lado comandou quem eu sou.

E hoje, eu quis ver a face dessa em que me transformei.

E sabes que mais vida, olhei-me e gostei da minha imagem. Gostei de quem sou e tudo o que aprendi contigo. Acho que vou fazer esta viagem mais vezes.

A vista deste lado é bem melhor. Aqui posso ver os problemas ao longe e nessa distância entendo que sou eu quem faz a escolhas, mas é a vida quem as valida. Eu invento muros para não continuar e a vida vai apagando minhas (des)ilusões para que possa continuar esta caminhada.

Ver a vida deste lado fez-me compreender que sou mais forte do que alguma vez imaginei ser e que a vida está sempre ali ao meu lado para remediar tudo o que faço (ou fiz) de errado.

Deste lado, tudo tem mais brilho e nem o negro do passado me assusta.

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Angela Caboz

Olá sou a Ângela, nasci no Algarve (Tavira) em 1966 e desde cedo que me apaixonei pelo mundo das palavras. Sou técnica administrativa e aprendiz de escritora nas horas livres. Escrevo o que a Alma me dita e vivo o que coração me pede ... é assim que as palavras se soltam para colorir as páginas da vida!

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