Neste ano de 2015, comemoram-se 120 anos desde o nascimento oficial do cinema. A data é comemorada, porque, pela primeira vez, um grupo de pessoas, a conhecida audiência, reuniu-se para assistir a um conjunto de imagens.
Hoje em dia, associamos ao cinema os nossos diferentes gostos. A música, a comédia, o musical, o drama, o melodrama, o western, o terror, a ficção científica, a fantasia, a animação, o documentário são os géneros cinematográficos que nos fazem, enquanto espectadores e críticos, mergulhar em universos que marcarão irrecusavelmente cada etapa da nossa vida.
Nesta rubrica que agora se inicia, espero dar a conhecer, ou a relembrar alguns dos clássicos que fizeram e continuam a fazer parte desta magnífica história e que, além do mais, nos permitem, dia após dia, fugir ao mundo de problemas característicos da lufa-lufa.
E por falarmos em cinema clássico, a melhor forma de começarmos será com os principais acontecimentos históricos que marcam os primeiros 20 anos de cinema nos Estados Unidos da América.
O cinema surgia oficialmente a 28 de Dezembro de 1895, em Paris, no Salon Indien do Grande Café, pelas mãos dos irmãos Lumière, através do cinematógrafo e da projecção das primeiras dez fitas ao público. Contudo, já antes disso, outras invenções ao longo do século XIX foram necessárias para o considerar a 7ª arte. Os primórdios desta arte remontam ao princípio da indução electromagnética concebido por Joseph Henry e Michael Faraday, em 1831, e à invenção da celuloide, em 1869, por parte de John Wesley Hyatt.
Porém, mais reconhecido ficara Thomas Edison, em resultado das diversas patentes que registara. Em 1877, inventa o phonograph, instrumento de captura do som, aplaudido pelo público, mas censurado pelas organizações religiosas. Dois anos depois, regista a primeira lâmpada incandescente fundamental na projecção das películas. Criaria também a sincronização de um filme com a gravação fonográfica, em 1889, através do Kinetophonograph. Mais tarde, sempre na ânsia de criar algum instrumento capaz de captar e reproduzir som e imagem em simultâneo, regista duas novas patentes.

Destaque para o Kinetoscope, caixa que permitia visualizar pequenas películas, exibida pela primeira vez na World’s Columbian Exposition, em Chicago, em 1892, e comercializada a 14 de Abril de 1894.

A rivalidade surge com a American Mutoscope Company, que mostrou à sociedade nova-iorquina um aperfeiçoado projector, no Verão desse mesmo ano.

Consecutivamente surgia a Vitagraph (1897-1925). Esta estabelece-se-ia tal como a Biograph Studios, rival da Edison Company. O primeiro estúdio fundado em Manhattan produzia filmes que serviam de propaganda à guerra contra a Espanha de 1898. A propriedade de Albert E. Smith foi também pioneira no estabelecimento do star-system, através da actriz Florence Turner.
A Edison Studios Company também adquiria expressão no mercado cinematográfico. Criada em 1894 por Thomas Edison, o estúdio produziu mais de mil e duzentos filmes, até ao seu encerramento, em 1918. Estas empresas cinematográficas adoptaram o sistema de venda de filmes e respectivos equipamentos de projecção às entidades responsáveis pela sua exibição. Atitude tomada em 1898 e que se manteria até meados do século seguinte.
O fim do século XIX permitiria a primeira grande transformação no cinema. Enquanto que, até então, os avanços tecnológicos foram primordiais para o estabelecimento desta arte em países como França, os EUA preocupavam-se com o ‘contar uma história’, através da constituição de dois princípios: de géneros e do star-system.