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Os ardidozinhos

Os ardidozinhos são aqueles seres mais inseguros que acontecendo qualquer coisa não expectável ficam logo ardidos, e armam um escarneceu, complicando qualquer situação, criando novelos de confusões, ás vezes apenas porque a caneta que lhe devolveram foi colocada no lugar errado da secretária.

Contudo, nesta espécie de ardidozinhos, identifico várias tipologias:

  • Os ofendidinhos – que se consideram o centro do Mundo, e que portanto, qualquer coisa que se diga ou faça foi certamente para os ofender e humilhar; Esquecendo-se que as outras pessoas não vivem propriamente só em redor do seu umbigo;
  • Os Eu é que sei – aqueles que nunca param para ouvir a posição dos outros, que carregam o emblema da tolerância ao peito, mas que não toleram sequer que lhes entre nos ouvidos palavras sobre potenciais abordagens diferentes ao tema em questão.
  • Os calimero – aqueles seres que se sentem sempre injustiçados e ignorados por todos; Os que se debatem pela verdade, e pelo preto no branco, e pela justiça, que apontam os erros dos outros, mas que também contornam as regras e fogem ao fisco sempre que podem; “É uma questão de sobrevivência”, dizem.
  • Os ansiosos – são aqueles que querem tudo e não querem nada; Os que querem, mas são indecisos na hora de tomar a decisão, sobre tudo.
  • Os ventrais  – os que transformam qualquer fagulha num incêndio de dimensões incontornáveis e destruidor à sua volta.

25Estas 4 tipologias têm em comum, o facto de mediante qualquer tema ou situação, despoletarem uma cadeia de comunicações dinâmica, implodindo informações, criando contra-sensos, e disputas entre outros seres completamente alheios à situação. E se nesta cadeia dinâmica houver outros tantos ardidozinhos, transforma-se um ponto de passagem numa alfândega digna do maior controlo e de taxas avultadas para os intervenientes.

Outra caraterística destes situações é que quando se chega ao meio, já nenhum dos envolvidos sabe muito bem qual a motivação relevante daquela situação, e então aduba-se a polémica com o habitual “Onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão” e um indignado “E tu já viste?”.

Num primeiro contacto, reconhece-se um ardidozinho pelo forma como nos aborda, simpáticos, atenciosos, mas a tentar obter demasiada informação sobre nós, no caso dos ventrais para criar sobranceria. São aqueles seres em que as conversas são forçadas e atiram temas à queima-roupa como quem está sempre em guerra.

Por isso, aconselho-vos vivamente, se pressentirem um ardidozinho por perto, fujam, mantenham-se a pelo menos 2m de distância e cuidado, quando atenderem um telefone, é sempre uma surpresa o que estará do outro lado.

O melhor é mesmo cada um confinar-se à sua “casa” na árvore.

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