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O que é o folclore?

De que forma as nossas crenças se refletem no folclore?

O tema de hoje tem vários significados e por vezes não sabemos ao certo ao que se refere.

Se eu te perguntar o que é o “Folclore”, provavelmente a tua mente vai direcionada para o rancho folclórico. E eu digo-te que não está de todo errada a tua ideia.  Mas, além disso, há muito mais no significado de Folclore.

Anda daí descobrir quais são e de que forma as nossas crenças são nele refletidas.

Antes de mais, vamos começar pelo significado de Folclore.

“fol·clo·re

(inglês folklore)

nome masculino

  1. Ciência das tradições e usos populares.
  2. Conjunto das tradições, lendas ou crenças populares de um país ou de uma região expressas em danças, provérbios, contos ou canções.
  3. Cultura popular de um povo. = DEMOPSICOLOGIA

Palavras relacionadas:

demopsicologia, folclorismo, folclórico, folclorista, charamba, blues, chimarrita”

Informação retirada do Dicionário Priberam da Língua portuguesa.

Quem nunca usou a frase “vem lá a cuca” que atire a primeira pedra, ou quem nunca ouviu falar da lenda de Inês de Castro da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, ou do Milagre das Rosas? Acho que todos nós já ouvimos falar de tudo isto.

Festas, contos de fadas, fábulas, provérbios, brinquedos e lendas, tudo misturado num bolo red velvet recheado de chantilly e temos o folclore. Por estas bandas é mais comum associar o folclore às tradições religiosas e festas populares. Por isso mesmo é muito importante estudar o folclore, para se conhecer as suas magníficas histórias, não só de Portugal, mas à volta do mundo todo.

O folclore varia de acordo com cada região de cada país, mas deixa-me apresentar-te um pouco da história do folclore.

Vamos lá atrás, assim mais ou menos ao fim do século XVIII, quando os Irmãos Grimm e Herder resolveram fazer umas pesquisas acerca da poesia tradicional alemã e descobriram a cultura popular.

O termo folclore começou a ser utilizado para se referirem às superstições, aos costumes, às lendas e tradições populares. Passado algum tempo o folclore passou a classificar toda a história não escrita de um país. Mesmo quando a ciência veio provar a falsidade de algumas histórias contadas, a influência dos populares ajudou a tornar todas as histórias, lendas e tradições como elos essenciais entre as diferentes culturas.

Por volta de 1888 já todo o mundo estava cheio de folclore.

Nos Estados Unidos da América existe um jornal, o Journal of American Folklore da Sociedade Americana de Folclore (American Folklore Society), que foi criado em 1888 e mantém-se ativo até aos dias de hoje.

O folclore ou folclorismo é neste momento reconhecido como uma ciência, é falado nas escolas e tem a acreditação da UNESCO. É estudado como parte da cultura de uma nação.

Segundo o antropólogo alemão, Arnold Kurr van Gennep

O folclore não é, como se pensa, uma simples coleção de fatos disparatados e mais ou menos curiosos e divertidos; é uma ciência sintética que se ocupa especialmente dos camponeses e da vida rural e daquilo que ainda subsiste de tradicional nos meios industriais e urbanos. O folclore liga-se, assim, à economia política, à história das instituições, à do direito, à da arte, à tecnologia, etc., sem, entretanto, confundir-se com estas disciplinas que estudam os fatos em si mesmos de preferência à sua reação sobre os meios nos quais evoluem…

Em Portugal, além de termos no campo das músicas e danças, como o rancho folclórico, temos muitas outras tradições, mas quando falamos em lendas, somos logo catapultados para as mais conhecidas.

A lenda das amendoeiras em flor, no Algarve (apesar de ter aparecido também na Turquia e em cidades de Espanha, como Córdoba e Sevilha)

Antes da independência de Portugal, o Algarve pertencia aos Mouros e o rei tinha casado com uma princesa nórdica, Gilda, mais conhecida por “Bela do Norte”, apesar de todos os esforços do rei a pobre princesa andava sempre triste, essa tristeza devia-se nada mais do que à falta de ver os campos cobertos de branca neve. Então o rei mandou plantar amendoeiras por todo o Algarve. No início da primavera, as amendoeiras estavam todas floridas. Quando Gilda viu aquele espetáculo, saltou de alegria ao ver um manto branco a cobrir todas as terras. Ficara tão contente que a tristeza desaparecera em pouco tempo.

E todos os anos, lá do alto da sua torre, Gilda, via os campos cobertos de “neve”.

A Lenda de D. Pedro e Inês de Castro (estudada no Canto III d’Os Lusíadas)

O nosso querido Luís Vaz de Camões foi dos primeiros autores a escrever sobre este romance, que se passa em Coimbra.

Resumindo e baralhando, D. Pedro era casado com D. Constança (que falecera ao dar à luz D. Fernando I) mas, havia uma aia que não tinha passado despercebida aos olhos de D. Pedro. Tornaram-se amantes. Que após a morte de D. Constança, resolveram assumir a relação. O senhor Pai de D. Pedro, não gostou do escândalo e já tinha um outro casamento planeado para D. Pedro. Entre um tuti-fruti e outro com D. Inês de Castro foram nascendo uns filhos pelo caminho.

Mas como eram um bando de alcoviteiras, aqueles homens, lá conseguiram sentenciar a morte de D. Inês de Castro, isto nas costas de D. Pedro. Acabaram por matar a pobre D. Inês.

Então reza a lenda que as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de D. Inês criaram a Fonte das Lágrimas da Quinta das Lágrimas, e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.

Ah! E segundo reza outra lenda sobre o mesmo tema, D. Pedro, ao descobrir quem foram os assassinos de D. Inês, mandou arrancar seus corações um pelo peito e outro pelas costas.

Oh o amor, é lindo!

A Lenda do milagre das rosas (a história da Rainha Santa Isabel)

A história mais conhecida da Rainha Santa Isabel é obviamente o milagre das rosas. Reza a lenda (como eu gosto de dizer isto) numa manhã de inverno a rainha saiu do Castelo de Leiria, digamos que desobedeceu ao confinamento da altura, ou seja, para levar pães aos mais desfavorecidos. Mas como a segurança era apertada, foi interpelada por D. Dinis que a questionou sobre o que levaria no regaço, ao que a rainha respondeu “São rosas, Senhor!”. Ora, pois, desconfiado que seria mentira, o soberano exclamou “Rosas, em janeiro?”. D. Isabel mostrou o que havia no regaço do seu vestido e os pães tinham-se transformado em rosas.

Mas nem tudo são lendas bonitas e românticas. Temos a lenda do “Medo”. Quem saberá o real significado do medo? Até hoje tenho medo do fundo do mar e até mesmo do escuro. Mas porquê? Não há explicação.

O Medo no folclore é algo maléfico, algo mau.

Muitas vezes usamos o “medo” para fazer com que os mais pequenos comam a sopa ou obedeçam a algo.

Nos dias de hoje, conseguimos encontrar o folclore retratado de várias formas em séries. No canal de streaming, Netflix, encontramos a Cidade Invisível, The Witcher (que existe também em videojogo), 3%, Grimm, Lúcifer (ai aquele Diabo), Shadowhunters, American Gods, Tale of the Nine Tailed, Ragnarok e Green Frontier.

Acho que te deixei uma pequena ideia do que é o folclore e como é que está presente nos nossos dias.

Por hoje é tudo! Grata por terem lido.

Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico.

Ana Gonçalves

Nascida e criada em Castelo Branco, Portugal. Empregada Forense de Agente de Execução de profissão. Em 2010 nasce o meu maior tesouro, a minha razão de viver e o meu melhor amigo, o meu filho. O meu maior sonho é realizar todos os seu sonhos. Tenho um gosto enorme por viagens. Diversão e boa disposição não faltam. Nunca há mau humor por estes lados. Somente me iniciei na escrita aos 32 anos, apesar de ter o gosto pela leitura desde sempre. Os livros que me deixaram rendida à literatura foram "A Lua de Joana" de Maria Teresa Maia Gonzales, seguindo-se "Os Filhos da Droga" de Christiane F.

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