A igualdade é só uma palavra

Nasci mulher e gosto de o ser. Com todos os impedimentos que possa apresentar sempre é bem mais gratificante ser uma pessoa sensível do que o contrário. Não quero com isto dizer que os homens são todos uns brutos. Para se ser mulher é preciso ter força e lutar contra uma série de situações que se estabeleceram e penso que para os homens tem sido mais fácil.

A ideia do cavalheiro a abrir a porta à senhora, a ajeitar a cadeira e a dar o lugar nos transportes ainda é válida. O que acontece é que as pessoas estão tão focadas no momento que se esquecem destes pormenores interessantes. Não é isso que faz com que se seja cretino, mas sim educado. Não é preciso explicar às pessoas que existe a consciência e a educação, pois não?

Agora como é que se admite que o facto de ser mulher é uma porta aberta a ser discriminada? Porque é que uma mulher ganha menos do que um homem quando tem a mesma função? Só porque pode engravidar e estar ausente para dar à luz? Então como é que o patrão nasceu? Foi de uma couve? Plantaram, regaram e zás, prontinho para ser grande?

Ser mulher implica uma dose de sofrimento que não é para todos. Primeiro é aquela circunstância do período que não é fácil de aceitar e depois, se for das menos felizardas, as dores que tal acarreta. No entanto, ser mulher é oferecer a possibilidade de dar uma continuidade, de procriar, de sentir um ser a crescer dentro de si e estabelecer um laço muito particular.

Os homens, por mais que se esforcem não o conseguem. É algo mesmo nosso, feminino e particular. Eles terão outros sentimentos e outras sensações que lhes farão todo o sentido. Somos diferentes e isso é muito importante. A sensibilidade não é apanágio da mulher, mas os homens são instruídos para a recalcar. Incorrecto e muito negativo.

Quando se fala de feminismo tende-se a deturpar o seu valor e significado. A meu ver ninguém quer ser humilhado nem maltratado. O feminismo defende a igualdade entre os sexos e não a sua supremacia. Caso o fizesse estava a incorrer no erro de sinal contrário. Mudar mentalidades é uma tarefa complicada e contínua.

Não consigo conceber uma sociedade onde as pessoas se continuem a atropelar e não respeitar. Os exemplos devem ser dados em casa, com a participação activa dos progenitores e a família alargada. Os maus exemplos, a violência e a falta de integridade só podem gerar comportamentos negativos e perpetuar atitudes discriminatórias.

De facto, somos todos diferentes por isso a palavra igualdade faz sentido ser usada em certos contextos. Não é, de modo algum, sinónimo de superioridade e muito menos de inferioridade. Parece-me que andamos com os dicionários um pouco trocados, com folhas soltas e ausentes.

Gosto de ser mulher, conforme mencionei, mas não gosto de ser olhada como se não fosse um ser humano. O respeito e a educação fazem todo o sentido para mim e devia ser universal. Muitos homens ainda exercem a mentalidade que lhes permite pensar que são donos da verdade e que podem dizer tudo.

Não me estou a referir aos piropos em concreto, mas sim a atitudes prepotentes e tirânicas que não se podem admitir. É-lhes incutido, mas desfazer o errado dá mais trabalho do que recomeçar. Basta pensar que estão a falar com a mãe, a irmã, a prima ou qualquer elemento feminino da família. Gostavam que elas fossem tratadas desse modo?

Por isso, esta palavra tem um peso enorme e não pode ser usada assim sem mais nem menos, por dá cá aquela palha. Deve ser ponderada e retirada do bolso na altura certa e adequada. Como se sabe ninguém é perfeito e todos cometemos erros, mas se tivermos vontade de os corrigir é meio caminho andado. Vamos fazer uma sociedade mais justa ou é só ingenuidade da minha parte?

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