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A Geometria

Quando pensamos em geometria começamos a imaginar formas, linhas, ângulos e cálculos como uma equação matemática materializada numa forma, o que não é de todo errado. Se analisarmos o significado da palavra geometria, percebemos que é composta por duas palavras – “geo” de terra e “metria” de medir, logo por esta combinação podemos concluir que geometria significa: a medição da terra.

Se pensarmos em tudo o que nos rodeia, percebemos que a geometria está por toda a parte, que vai desde a natureza, a sistemas moleculares, a objetos do dia-a-dia, a construções, bordados, cestos, desenhos da calçada, às artes, a padrões de tecidos e até ao nosso ADN, enfim encontra-se espalhada um pouco por todo o lado. É ao mesmo tempo impossível de não ver por ser tão óbvia e quase impercetível por ser tão familiar.

A geometria acompanha o homem desde a Antiguidade, começou com a necessidade de se medir as terras no Egito após as cheias do rio Nilo que arrasavam anualmente a região, destruindo as demarcações dos campos e plantações. Quando as águas voltavam ao seu nível normal, essas delimitações de posses tinham desaparecido, gerando diversos conflitos entre indivíduos e comunidades que assim tinham de dividir tudo novamente, nascendo deste modo a geometria conhecida hoje como geometria euclidiana.

Euclides foi o primeiro matemático a apresentar a geometria de uma forma mais organizada, através de publicações em livro. A geometria é utilizada na abordagem de situações relacionadas às formas, dimensões e direções. O objetivo de ensinar geometria está ligado ao sentido de localização, reconhecimento de figuras, manipulação de formas geométricas, representação espacial e estabelecimento de propriedades.

Muitos foram os que se dedicaram ao estudo da geometria, dando origem a inúmeras teorias com aplicações nos mais variados ramos do saber, que obviamente, pela sua complexidade não irei abordar. Importa porém salientar a título de curiosidade que por exemplo, a ideia de simetria teve origem no estudo da geometria. O estudo da simetria nasceu da observação do mundo através do reconhecimento da presença de simetrias nas formas da natureza como o sol, as folhas, as flores, o corpo humano e corpo de outros animais, os cristais de gelo, a neve, entre outros tantos exemplos de objetos com formas simétricas. Cada vez mais a questão de como a simetria surgia na natureza intrigava os estudiosos. Ao longo da evolução da matemática, a noção de simetria tornou-se uma das mais importantes, não apenas na geometria mas em todas as áreas da matemática como também na física.

A geometria tem como objetivo o estudo de uma figura no seu espaço e plano e por isso, está intimamente ligada à pintura, escultura, desenho e outras formas de arte. Uma das figuras principais nos domínios das artes, da matemática e da engenharia, foi sem dúvida Leonardo da Vinci. O génio, inventor e artista que viveu entre os séculos XV e XVI foi o precursor de várias descobertas, como a noção de perspetiva, um importante marco para a transformação da forma de se ver e fazer pintura para inúmeros artistas até aos dias de hoje.

A geometria do século XX demonstrou que há um número limitado de simetrias possíveis, bem presentes, na realidade portuguesa nas calçadas, onde se verificam as seguintes simetrias no plano: 7 para os frisos e 17 para os padrões. Um trabalho de jovens estudantes portugueses registou nas calçadas de Lisboa: 5 frisos e 11 padrões, atestando a sua riqueza em simetrias.

Outro exemplo, o pintor Almada Negreiros na sua obra plástica foi alvo de uma progressiva tendência geometrizante, o que se pode verificar nos frescos das gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos (da década de 1940), em obras como o autorretrato Auto Reminiscência de Paris (1949), os retratos de Fernando Pessoa (1954 e 1964) ou a tapeçaria Número (1958).

Existem mais interpretações para além do que conseguimos percecionar, quer isto dizer, que a geometria deve também ser entendida para além do seu sentido exato ou matemático. A geometria é uma das primeiras manifestações das civilizações e um instrumento fundamental, subentendido em tudo o que é feito pela mão do homem. A geometria desenvolveu-se de uma habilidade primitiva – a manipulação da medida, que nos tempos antigos era considerada um ramo da magia.

A existência de artefactos únicos estruturados conscientemente pela humanidade revelam ser baseados desde dos tempos mais antigos por sistemas de geometria. Esses sistemas, embora inicialmente derivados de formas naturais, frequentemente as ultrapassam em complexidade, uma vez que se considerava que eram dotados de poderes mágicos e de profundo significado psicológico. No período antigo, a magia, ciência e religião eram inseparáveis. As religiões mais remotas da humanidade estavam concentradas nos lugares naturais em que a qualidade divina da terra podia ser prontamente sentida: entre árvores, rochas, fontes, em cavernas e lugares elevados.

A proporção harmoniosa segue naturalmente o exercício da geometria sagrada, que parece correta porque é correta, ligada como está metafisicamente à estrutura esotérica da matéria. A geometria sagrada diz respeito não só às proporções das figuras geométricas obtidas segundo a maneira clássica, como o uso da régua e compassos, mas também às relações harmónicas das partes de um ser humano com o outro – estrutura das plantas e dos animais, assim como formas dos cristais e objetos naturais – tudo aquilo que for a manifestação do propósito universal.

Quando olhamos para o mundo através de formas geométricas básicas como: círculos, triângulos ou quadrados, o nosso mundo simplifica-se e o entendimento do mesmo é feito de forma natural e intuitiva. Deste modo, a visão do mundo através da geometria permite-nos manter a simplicidade, eliminando tudo o que é supérfluo.

Photo by Akshar Dave on Unsplash

Sofia Cortez

Sofia Cortez (1978, Lisboa) marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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