O filho pródigo que não regressou

Conhecem a parábola do filho pródigo? Aquele que recebe uma parte da herança do pai, gasta o dinheiro todo, fica sujo e roto e depois volta a pedir desculpa? Esta história é um pouco diferente: a herança são traumas daqueles beeeeem complicados e o pai em vez de estar à espara do filho no seu palacete, está no hospital psiquiátrico – preso, não internado.

Quando vi o anúncio de Prodigal Son, o argumento que me levou a ver a série foi um e só um: Michael Sheen. Conheci-o através da mítica Saga Twilight, em que desempenhou o papel de Aro, líder da “realeza” Volturi e fiquei apaixonada pela sua performance e pelo lado mais maníaco e algo histérico da personagem. Mais tarde, vi também a obra de arte “Masters of Sex”, com Michael Sheen como protagonista, mas essa série fica para outro artigo.

Ver Michael Sheen desempenhar o papel de um assassino em série reformado, com todas as nuances que ele poderia trazer para o personagem era imperdível. Bastou um “My boy!” para me prender ao ecrã e um primeiro episódio para me fazer contar os dias até ao episódio seguinte.

Personagens e Atores

Tom Payne como Malcolm Bright, o filho do Cirurgião, Martin Whitly, interpretado pelo (já disse brilhante?) Michael Sheen. Não conhecia Tom Bright, mas gostei muito da sua performance e também do próprio personagem. 

As mulheres do elenco foram também spot-on na minha opinião: a belíssima Bellamy Young como Jessica Whitly, Halston Sage como Ainsley Whity, que me intrigou do início ao fim da série pelo que se revelou. Aurora Perrineau como Dani Powell e Kiko Agena a interpretar uma das personagens mais carismáticas de toda a série – Dra. Edrisa Tanaka. Na segunda temporada, temos a incrível Catherine Zeta-Jones, que “envelheceu como o vinho do Porto” para se encaixar perfeitamente como Dra. Vivian Capchaw.

O Tenente Gil Arroyo (Lou Diamond Phillips) naquele vai-não-vai de par romântico de Jéssica Whitly, herói que salvou o pequeno Malcolm e prendeu o Cirurgião.

O mix de características deste elenco, desde a larga variedade de nacionalidades e etnias às próprias nuances dos personagens que interpretam permitiu à série abordar alguns temas cruciais que se atravessam no nosso dia a dia, como o racismo e a igualdade de género, nomeadamente em contexto laboral.

Enredo

Era uma vez uma família feliz: mamã, papa, filho e filha. Mamã bela com gosto refinado, papa médico que gosta de pescar ao fim de semana, filhos bonitos e educados. O papa quer levar o filho num dos seus fins de semana de pesca e os dois partem para uma aventura no lago. Só que o que o papa vai pescar é peixe graúdo: uma menina numa caixa. Esta imagem viria a perseguir para sempre o pequeno Malcolm, que pouco a pouco se começa a aperceber que as pessoas que o papa convida para a hora do chá desaparecem misteriosamente. Como as crianças dizem sempre a verdade, o pequeno Malcolm diz ao Tenente Gil Arroyo “Acho que o meu pai anda a matar pessoas” – o que resultou na captura do há muito procurado assassino em série “Cirurgião” que tinha colecionado perto de duas dezenas de vítimas.

Corta para cerca de 20 anos mais tarde, o pequeno Malcolm é agora um exímio detetive do FBI, perseguido pelos seus pesadelos de criança – a menina dentro da caixa. Ousado, irreverente nas suas técnicas de investigação, por arriscar demasiado, vê-se transferido de volta a casa, onde é colocado como consultor da Polícia, formando equipa com o herói da sua infância – o tenente Gil Arroyo, os detetives JT Tarmell e Dani Powell e a médica legista Dra. Edrisa Tanaka.

A primeira temporada da série desenrola nesta procura de “quem é a rapariga da caixa?” elucidando ao longo dos episódios sobre as peripécias da Malcolm e a sua equipa para desvendar outros crimes, trabalho para o qual contam ocasionalmente com a ajuda do “Cirurgião”.

A segunda temporada traz alguns novos personagens e aventuras, crimes para resolver e mais coisas para conhecer sobre os protagonistas, reveladas através de sonhos e maravilhosamente-bem-conseguidos flashbacks do personagem principal. O storytelling dos episódios “builds up” até aos últimos minutos – sempre. Não houve um episódio para não ficar agarrado!

E quando cancelam uma série destas?

Após apenas duas temporadas, Prodigal Son foi cancelada pela FOX, alegadamente devido a poucas audiências. Mas como diz o povo português e bem: NINGUÉM ACABA ASSIM!

SPOILER ALERT: O final traz uma reviravolta e deixa demasiadas questões em suspenso! Numa tentativa de matar o seu próprio filho, Martin Whitly acaba esfaqueado. Quem morreu? Quem ficou ferido? Quem foi preso? Que pares românticos finalmente foram assumidos? Precisamos de saber! 

De acordo com o artigo da TV Line, à data de estreia da segunda temporada, os co-criadores da série, Chris Fedak e Sam Sklaver, estavam relutantes em partilhar as ideias de uma terceira temporada, na esperança da série ser salva por uma outra companhia – resgate esse que até hoje aguardamos! No mesmo artigo podem ler-se ainda algumas hipóteses do que poderia ser incluído ou estava previsto ser incluído numa terceira temporada, como a eventual saída de Martin Whitly do Hospital Psiquiátrico de Claremont, o (contínuo) aproximar de Malcolm e Dani, o desbloquear da relação de Gil e Jessica e potenciais consequências desse relacionamento (sobretudo para a parceria Gil/Malcolm), entre outros tópicos.

Acho que um assassino em série não devia deixar estas pontas soltas – afinal de contas, estamos a falar do Cirurgião! Aguardamos ansiosamente por terceira temporada ou pelo menos de um último episódio para fechar o caso.

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