fbpx
EconomiaPolítica

O capitalismo

Em que Mundo queremos viver?

No fim de Maio, quando o Miguel me mandou a listagem dos novos temas, curiosa como sou, li-os todos logo. Quando cheguei a este, percebi que seria dos mais difíceis e foi.

O capitalismo é um modelo social que ocorre num país ou nação, quando este assenta a sua economia no sector privado, ou seja quando, os produtos e serviços que definem o seu produto interno bruto, são pertença de entidades e interesses privados e não do próprio governo o que permite ao consumidor a liberdade de escolha.

Ao serem de entidades privadas, o governo deixa de ter poder sobre esses produtos e serviços (e a mão de obra associada para os produzir), e consequentemente sobre a forma como são produzidos, o destino e o preço a que são colocados no mercado.

Graças ao mercado da eletricidade, chegaram ao nosso vocabulário (pelo menos ao meu) termos como mercado regulado e mercado livre. E este exemplo pode ser estendido aos restantes produtos e serviços  que compramos. O mercado regulado diz respeito às situações em que o preço e a forma como é mecanizado determinado bem está claramente estabelecido. Sabemos quanto nos vai custar e em que condições. No mercado livre, o preço de venda é estabelecido pelo seu detentor e sujeito às oscilações da procura e da concorrência.

Um bom exemplo para o que é vivermos em capitalismo foi a procura de produtos de proteção comuns a todos (gel e máscaras) nos últimos meses. Quem detinha os produtos em causa, como capitalistas estabeleceram os preços de venda (os fabricantes, os distribuidores e por conseguinte os vendedores ao cliente final), até que o governo, assente num pressuposto social de acesso a bens essenciais a todos definiu um valor de lucro máximo sobre estes bens essenciais. Ou seja, o governo regulou a venda destes bens, mas contudo sujeitou-se e sujeitou os contribuintes, ao preço de fabrico proclamado pelos fabricantes e sucessiva cadeia de disponibilização ao público. Aliás o próprio governo ficou sujeito ao mesmo mercado livre. Foi por isso que começamos a ouvir falar da necessidade de cada país ser autosustentável, ou seja não depender de importações de bens para garantir o funcionamento do país.

O capitalismo extravasa as relações económicas internas de cada país, atravessa as fronteiras entre países e ressente-se entre continentes, seja pelos produtos a baixo preço oriundos de microeconomias, seja pelo petróleo e minerais presentes apenas em pontos particulares do planeta, seja pela disputa das tecnologias entre nações, seja pelos bloqueios fronteiriços ao turismo, entre outros, que destacam as grandes potencias capitalistas que monopolizam o macromercado internacional.

Contudo, voltando ao espetro de cada nação, se por um lado o Capitalismo desenvolve as sociedades, já que a concorrência permite desenvolver, descobrir e evoluir para novas soluções, por vezes até mais baratas, contribuindo também para o bem comum e disponibilizando soluções acessíveis e apelativas a todos, assim como permitindo a liberdade de escolha individual. Por outro, este leque de oportunidades disponíveis exige que haja poder de investimento para novos capitalistas e poder de compra pelos consumidores, e quando o ciclo económico entra na fase da recessão (fases do ciclo económico: crescimento/expansão, abrandamento, estagnação, recessão, recuperação), ou seja em declínio, em que não existe capital independente para investir, nem poder de compra individual para adquirir os bens essenciais, é chamado o governo (e a Europa no caso de Portugal) a intervir e a tomar medidas de investimento para fomentar a retoma.

Nos últimos 10 anos, muitos iniciaram o percurso de empreendedores, vulgo capitalistas, ao mesmo tempo que a enocomia cresceu e recuperou, mas poucos previram e acautelaram o efeito do risco pandémico com que vivemos e ao qual nos teremos que adaptar. E, com muitas falhas é certo, tem sido chamado o governo para apoiar os poucos empreendedores/capitalistas que sobreviverão e os que não.

A lição a tirar é que o capitalismo convive com o socialismo, mas não sobrevive  sem ele.

PS:

  • O socialismo é a teoria ou sistema de organização social baseado na exploração dos bens em comum, onde a propriedade é atribuída aos trabalhadores e em última instância, ao Estado. No socialismo, o estado controla a economia, sendo responsável por planear a exploração e a distribuição dos bens produzidos. (Karl Marx)
  • O capitalismo é a teoria ou sistema de organização social baseado no mercado livre, na propriedade privada e em operações privadas com fins lucrativos. No sistema, a propriedade pertence aos indivíduos ou a empresas. Esse sistema defende a liberdade de escolha do consumidor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.
%d bloggers like this: