Esta frase do americano Milton Friedman que tantas vezes se utiliza no quotidiano, diz-nos que nada é de graça, e se é de graça, não o é por muito tempo. Temos isso bem presente numa série de situações do dia-a-dia, coisas que eram de borla e que passamos a pagar porque no final do dia, tudo tem um preço! Correndo o risco de ferir as almas mais sensíveis, com a próxima afirmação, o mesmo se passa com a arte.
A arte é sem dúvida das maiores manifestações humanas, mas muitos de nós têm a tendência de dar-lhe apenas valor etéreo. É verdade que é preciso talento para se ser artista e que não está ao alcance de todos. Mesmo o que nasce por vocação e entrega precisa sustentar-se, se for essa a opção do artista em causa. A arte pela arte tem em si a nobreza do ato, mas, para além do reconhecimento, pode não trazer rendimento (se for essa a opção de vida, volto a frisar).
Se pensarmos bem sobre isto, tudo o que é oferecido temos tendência a desvalorizar – não custa nada! Só valorizamos “quando nos sai do pêlo”. O artista que doa a sua arte vive com este drama, as pessoas não valorizam o que é dado. Já se for caro, é porque é bom! Ter um preço ou um valor comercial faz-nos refletir sobre o que consideramos importante. Talvez a natureza humana não esteja preparada para apreciar o gesto do artista que oferece a sua arte porque na sua génese, ainda não tem a capacidade para apreciar o gesto ou valorizar a arte pela arte. Ainda vivemos numa época excessivamente mercantil onde a lei do dinheiro impera.
Por isso, por muito que um artista entregue a sua arte, em troca apenas do reconhecimento ou em prol da comunidade, sem um valor real palpável e numérico muitos de nós consideram a dádiva sem qualquer valor. Se está a oferecer ou é uma porcaria ou não interessa a ninguém! Excluindo-se, obviamente os artistas que já têm nome feito na praça.
É também verdade que a arte, não deve estar disponível apenas para alguns e que atribuir-lhe um valor comercial limita o acesso. Não existem cenários ideais, apenas aceitáveis e ainda assim para alguns. Visitar um museu ou uma exposição é sempre um bom ponto de partida para a partilha da arte nas suas mais variadas formas. Tem um preço, sim. É preciso que tenha para se manter acessível a todos e cada um de nós só pagará se efetivamente valorizar o investimento.
A arte será sempre importante e um elemento de integração cultural, porém, mesmo que esteja disponível para todos, só alguns irão valorizar a sua existência e o muito que se consegue aprender com ela.
Por isso, na realidade o valor da arte depende do envolvimento que tivermos com ela.
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