fbpx
Televisão

Lovecraft Country (2020) – Crítica

The only currency I needed…whiteness.

– Ruby

Lovecraft Country conta a história de Atticus Freeman (Jonathan Majors), um jovem afro-americano que, juntamente com a sua amiga de infância Letitia Lewis (Jurnee Smollett) e o seu tio George (Courtney B. Vance), viaja à procura do seu pai desaparecido na década de 50.

* CUIDADO COM SPOILERS *

Esta série (baseada num romance do mesmo nome, do autor Matt Ruff)  é composta por episódios que têm muitos “sabores” diferentes e muitos géneros representados e isto é também resultado da produção de J.J. Abrams e Jordan Peele. A presença de cada um é muito visível em cada episódio, existindo elementos de ficção científica, de aventura e de terror muito presentes.

Nesta primeira temporada, cada episódio tem o seu tom próprio e parece quase antológica, no sentido em que cada episódio poderia ser um filme “à parte”.

Começando pelas partes positivas, existe muito para apreciar nesta série, a direção da fotografia é imaculada (podendo os efeitos especiais serem algo sobrecarregados por vezes), a banda sonora é fantástica e combina sempre no contexto em que está a ser apresentada. A representação é também muito boa, tanto do elenco principal como do secundário, mas queria aqui realçar duas interpretações: a de Jonathan Majors como Atticus e a de Michael Kenneth Williams. Acho que são os dois atores que mais se sobressaem e conseguem carregar uma boa parte da série nos seus ombros.

Embora cada episódio tenha um tom distinto e temáticas diferentes, existem dois temas que são comuns a toda a história: a discriminação racial de uma América segregada na década de 50 e também a magia e a forma como ela pode ser usada das mais diferentes formas.

Como aspetos negativos, diria que falta consistência à série. Tendo-a visto na sua totalidade, posso dizer que é uma série que tem episódios muito bons e episódios muito confusos. É aquele tipo de séries que, quando o episódio é bom, parece uma obra de arte e, quando não é tão bom, parece bastante confuso e com potencial desperdiçado. Contudo, este lado negativo não se sobrepõe ao positivo e acho que é uma série que vale a pena ver, uma vez que mistura bem vários elementos e géneros de uma forma competente, faltando, ainda assim, foco e consistência em alguns episódios.

Os meus três episódios favoritos

Sundown” (T01, E01): onde conhecemos a nossa história com ótimos elementos de bela direção de fotografia, excelente representação, excelente banda sonora e um episódio que é uma aula em como criar tensão com eficácia.

Meet Me In Daegu” (T01, E06): conta a história de Ji-Ah (Jamie Chung), uma enfermeira que nos despojos da guerra coreana conhece e apaixona-se por Atticus. Este, provavelmente, é o episódio mais bonito visualmente e aquele que é mais diferente do resto da série, sendo falado na sua grande maioria em coreano.

Jig-A-Bobo” (T0, 1E08): é o episódio que melhor consegue contar as diferentes narrativas de uma forma coerente e focada e tem elementos de terror fantásticos, que relembram o filme “Us” de Jordan Peele – a influência é inegável. Falei já de Michael Kenneth Williams, mas não me prolonguei, porque não queria revelar em cima que o papel que ele faz é um papel super-complexo. Ele é o (suposto) pai de Atticus, mas guarda um segredo enorme que o consome por dentro sobre a sua sexualidade e que o faz ser da maneira que é. Este ator representa este conflito de emoções de uma forma perfeita e merecedora de ser galardoada.

Nota: Este artigo está escrito com o atual acordo ortográfico

Lovecraft Country

Argumento - 50%
Interpretação - 85%
Efeitos Especiais - 80%
Produção - 60%

69%

6

Uma grande aventura com algumas inconsistências

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Botão Voltar ao Topo
%d bloggers like this:

Adblock Detectado

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.