Comecei a ver The Marvelous Mrs. Maisel como começo a ver a maioria das séries: “cliquei” numa à sorte. Em pouco tempo, estava presa. A narrativa, o tipo de humor, a interacção entre as personagens, tudo era bom. Rapidamente percebi que algo me soava familiar. O timing dos diálogos e, principalmente dos momentos de humor eram demasiado rápidos. Fui ver. Como suspeitava, estava a ver uma série de Amy Sherman-Palladino.
Responsável também por Gilmore Girls e Bunheads, Amy Sherman-Palladino tem um estilo muito próprio no que toca a diálogos. As suas personagens debitam mais palavras por minuto do que o normal em televisão ou cinema, e não existe a típica pausa a seguir à piada. Muito pelo contrário, os momentos de humor sucedem-se a uma velocidade alucinante, como se fossem uma competição entre as personagens, obrigando o espectador a manter a atenção e a audição bem afinadas. Esta influência vem do pai de Amy, Don Sherman, argumentista e comediante de stand-up que se especializava no estilo de comédia Borscht Belt, típica da comunidade judia de Nova Iorque, que se caracteriza precisamente pelo diálogo rápido, auto-depreciação, trocadilhos, queixas sobre a vida quotidiana e estereótipo de características judias.
Outra imagem de marca de Amy Sherman-Palladino é o uso da música nas séries. Segundo a própria, a maioria das séries usa a música de forma preguiçosa, portanto, é normal a escolha musical ser extremamente cuidada e adaptada à narrativa de cada episódio.
Tudo isto, e o facto da história ser centrada numa personagem feminina, e – até arrisco dizer – feminista, no sentido de ser empoderadora para a protagonista, foi o que me fez saber que estava em terreno familiar e bem entregue.
Embora não seja biográfica, a série é inspirada na vida da comediante Joan Rivers, que ganhou notoriedade nos anos 60 em The Tonight Show e é considerada uma das primeiras comediantes femininas, principalmente nos estilos de comédia negra e auto-depreciativa.
Conta a história de Miriam Maisel, interpretada por Rachel Brosnahan, uma mulher judia de classe alta, que vive em Nova Iorque em 1958 e cujo marido tenta começar uma carreira em stand-up comedy nos bares locais. Quando a vida dá uma volta inesperada, acaba por ser Miriam a assumir esse papel e descobrir o seu talento, para choque da família e de boa parte da sociedade da altura. Com a ajuda de Susie, uma aspirante a agente mais bem-intencionada do que experiente, acaba por chamar a atenção de gente influente e chegar até à fama. Tudo isto se passa entre um divórcio, uma relação complexa com o ex-marido, a resistência dos pais, dois filhos pequenos e a gestão das relações com as novas pessoas que vão entrando na vida de Miriam.
Infelizmente, The Marvelous Mrs. Maisel foi cancelada na 5ª série por opção da Amazon Prime Video, mas, ainda assim, mantém uma classificação de 8.7 no IMDB e 90% no Rotten Tomatoes.