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Jornalismo em Portugal

O jornalismo é considerado uma profissão em constante mudança, que tende a acompanhar toda a evolução, desde a tecnológica à humana, através da pesquisa e exploração de temas da actualidade. Contudo, nem sempre assim foi. Existiram tempos que não podiam ser comentados, a realidade vivida não podia ser criticada, onde era impensável falar-se sequer de mudança, ou evolução. O jornalismo em Portugal cresceu de tempos de completa censura para os dias de hoje, de completa liberdade de expressão.

De facto, Portugal atravessou 41 anos de ditadura, onde uma das formas de repressão era exercida sobre as palavras e se traduzia na censura prévia de vários tipos de publicações, das emissões televisivas e de rádio, com vista à protecção de Portugal, outrora apelidado de Estado Novo. Foram tempos de escrita reprimida, onde a censura era exercida principalmente em temas políticos, onde toda e qualquer notícia era previamente controlada, aproximadamente a 48 horas de ser publicada, ou relatada, fazendo com que o conceito “actual” sofresse de 2 dias de atraso.

Antes d1229183369317_fo 25 de Abril de 1974, os jornalistas eram poucos, pertencentes a uma estrutura pouco organizada e a um país com baixos índices tanto de consumo como de leitura. Porém, a Revolução dos Cravos não só libertaria o país do sistema de ditadura em que vivia, como também daria voz às pessoas até então desabituadas a serem ouvidas. Uma vez libertos da repressão em que exerciam a sua profissão, os jornalistas tiveram que reaprender a escrever, adaptando-se a este novo conceito de liberdade e de democracia. A mudança do regime político, a abolição da censura e a nacionalização dos meios de comunicação social tornaram-se na combinação perfeita para a promoção do diálogo e dos mais variados tipos de confronto, independentemente das facções ideológicas, ou quadrantes políticos. Os portugueses tinham opinião, opinião que agora saía das suas mentes, para ser partilhada com alheias.

Os vários processos de comunicação que agora se sentiam, aliados à crescente necessidade de conhecimento, tornaram-se na alavanca necessária para o desenvolvimento do jornalismo em Portugal. Desta união nasceu, assim, uma formação universitária específica para a aprendizagem da profissão. Contudo, o crescimento do jornalismo nas últimas décadas não dependeu somente da sua implementação enquanto profissão aprendida em contexto académico. Por ser uma actividade de comunicação e pela internet ter, também ela, contribuído para uma profunda mudança nos processos comunicacionais, o jornalismo ganhou novas formas com vista à acompanhar a actual tendência.

Hoje, o jornalismo é, certamente, uma profissão bem mais comum do que era em outros tempos, chamados “tempos dos nossos avós”. Os índices de consumo são, consideravelmente, superiores aos de antigamente, a vida é muito mais facilitada e todo este facilitismo leva a que, por vezes, o jornalismo nem sempre se pratique nos padrões éticos desejáveis. Hoje, não só existem mais jornalistas do que as vagas, como também os meios de comunicação tornaram-se muito mais competitivos entre si. Esta competitividade leva a que, por vezes, a informação seja manipulada, na procura de maior tempo de antena. Não quer isto dizer que não haja qualidade de informação, mas que esta, por vezes, não seja coerente, apele ao alarmismo, acabando por cair em lugares comuns, ou seja, no sensacionalismo.

O sensacionalismo faz-se valer de sentimentos, é visto em notícias de caracter violento, cuja descrição de factocerebro-acorrentados é tantas vezes exagerada, o que, infelizmente, se traduz por audiências acrescidas. O mesmo sensacionalismo é ainda sentido no jornalismo político, onde o alarmismo e a contradição andam de mãos dadas, tornando-se na base de construção de notícias. Neste aspecto, pensar em tempos de censura, de falta de conhecimento político propositado, esta confusão com que, sucessivamente, se informa o povo não informando nada, parece remontar a tempos de Salazar.

Sim, vivemos em democracia, mas mantem-se a falta de informação clara e objectiva que torne os cidadãos conhecedores do meio onde vivem, pessoas que participem activamente na nossa sociedade, mas que, acima de tudo, o façam de um modo consciente.  Em certas alturas seria importante relembrar que a essência do jornalismo consiste em divulgar notícias e informações, com vista a instruir a população sobre o que se passa no mundo em geral e, particularmente, no  nosso país,  a nível económico, político e social. Mas, apesar de termos palmilhado todo este caminho de censura e privação do conhecimento, aparentemente, é tantas vezes o sensacionalismo que ganha primazia porque é também ele o preferido pela população.

Poderá ser fácil identificar os jornalistas como os principais responsáveis pela proliferação deste tipo de notícias, mas, na minha opinião, temos quota parte de responsabilidade, pois fazemos com que este tipo de informação se perpetue. Possivelmente, se apenas consumíssemos a de qualidade e que gera mudança efectiva de mentalidade, o tempo de antena reduzido poria fim ao sensacionalismo para dar lugar apenas e somente aos objectivos puros e duros a que o jornalismo se propõe. Hoje, com maiores índices de consumo e de leitura, com toda a informação ao nosso dispor, com  a internet que nos confere o poder de passar de receptor a emissor da mensagem que lemos mas que agora escolhemos divulgar, é tantas vezes a “cor de rosa” ou de coscuvilhice que se vê partilhada e que, nem que seja por apenas um dia, anda na boca do mundo e faz com que se esqueçam dramas políticos e a nossa já cidadã portuguesa, a crise. Concluo que, de algum modo, permanecemos numa espécie de ditadura interior que mais que nos bloquear o crescimento pessoal, bloqueia Portugal, enquanto nação.

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Sara Pereira

O que me define não é a formação académica ou estudos complementares. Sou isto: nem mais nem menos que alguém, mas ninguém é igual a mim. Sou única, com os meus defeitos e virtudes. Sou complexa e simples ao mesmo tempo. Por vezes complexa nas alturas em que deveria ser simples, nunca ocorre no tempo certo ou na medida exacta. Sou descomedida na medida do equilibrado. Sinto muito mas esqueço depressa. Apaixono-me constantemente pela paixão e sofro desilusões assolapadas. Cada dia, mais que em qualquer outro tempo, tento equacionar que não é nem será a ultima vez que as sofro e assim aprendo a senti-las menos. Sou sonhadora e vivo a sonhar com um mundo que seja um lugar melhor para nós. Gosto de viver alienada desta dita realidade que me rodeia, para não sabotar quem sou. Sou uma alma em constante desconstrução para que me possa continuar a construir. Tenho eternas perguntas que nunca serão respondidas. Gosto de escrever. O que me falta na comunicação verbal, compenso na escrita. Gosto da fluidez das palavras, do peso que podem adquirir, da maneira como podem tocar, do significado escondido que podem ter. Para além do que dizes ser óbvio há sempre mais, se escolheres ler-me. E quando verdadeiramente me lês, sou isto: nem mais nem menos, mas feliz por ser assim.

2 Comments

  1. Adorei este artigo sobre o jornalismo em Portugal. Talvez falte ainda dizer que os jornalistas vêm-se obrigados a calar algumas notícias “verdadeiras” por força dos seus patrões, donos dos meios de comunicação. Essa dependência dos jornalistas mata qualquer liberdade de imprensa.

    1. Fica sempre algo por dizer, haveria tanto que poderia ser debatido, a verdade é essa. Está tanta coisa errada mas existe tanta correcta! É o equilibrio que volta na volta falha, porque a perfeição, essa, é uma utopia!
      Obrigada por me acompanhar!
      Grande beijinho,
      Sara

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