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Oppenheimer (2023)

No mundo do cinema, são escassos os realizadores que atraem tanta atenção e tantas expectativas como Christopher Nolan. Principalmente conhecido pelas suas complexas e intensas narrativas — que nunca falham em cativar o espectador, tanto pela história retratada como pela beleza visual destes —, os trabalhos de Nolan ultrapassam continuamente os limites da arte cinematográfica. Uma das suas obras mais aguardadas, “Oppenheimer”, estreou a 21 de julho deste ano.

Antes de mergulharmos no filme de Christopher Nolan sobre a vida de J. Robert Oppenheimer, é essencial compreender o significado histórico do tema. J. Robert Oppenheimer foi o diretor científico do Projeto Manhattan, uma iniciativa de investigação secreta do governo dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Este projeto levou à criação das bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, pondo fim à guerra, mas marcando também o início da era nuclear.

O fascínio do realizador por personagens complexas, moralmente ambíguas e narrativas profundas parece ser a combinação perfeita para a figura enigmática de Oppenheimer. O filme oferece aos espectadores um vislumbre dos dilemas morais e éticos enfrentados pelos cientistas envolvidos na criação das armas de destruição maciça, tudo no contexto de um mundo em guerra.

A história acompanha Oppenheimer (Cillian Murphy) ao longo de décadas, começando nos anos 20, como um estudante desvalorizado pelos seus professores, e continuando até quase ao fim da sua vida. O filme aborda os seus marcos profissionais — com um claro destaque para a criação da bomba —, as controvérsias que o perseguiram, os ataques anti-comunistas que quase o arruinaram, e as amizades e romances que o ajudaram, mas que causaram danos. Aborda também o seu caso com a política Jean Tatlock (Florence Pugh) e, mais tarde, casa-se com Kitty Harrison (Emily Blunt), que o acompanha a Los Alamos, local onde foi produzida a mortífera arma e onde dá à luz o seu segundo filho. É uma história densa e repleta de eventos que Nolan divide em secções: a maioria destas é a cores, como o comum filme dos dias de hoje, mas outras apresentam um preto e branco de alto contraste.

A história de Oppenheimer é um problema moral e não é a primeira vez que o realizador explora este género de personagens. O dilema ético de criar uma arma capaz de tamanha destruição marcou o físico, e é um tema que Nolan consegue desenvolver habilmente no decorrer do filme. Os filmes deste convidam frequentemente o público a refletir sobre questões morais complexas: em “O Cavaleiro das Trevas”, explorou a natureza do heroísmo e a linha ténue entre o bem e o mal. Em “Interstellar”, mergulhou nos sacrifícios feitos por um bem maior. A viagem de Oppenheimer é uma viagem de ambiguidade moral, e a proeza narrativa de Nolan vai, sem dúvida, fazer-nos questionar as escolhas feitas por este físico brilhante.

Como em qualquer filme de Christopher Nolan, “Oppenheimer” possui um elenco impressionante. Cillian Murphy, um colaborador frequente de Nolan (“A Origem”, “Batman – O Início”), assumiu o papel de J. Robert Oppenheimer, trazendo a sua intensidade e profundidade características à personagem. O elenco de apoio inclui nomes como Emily Blunt, Florence Pugh e Robert Downey Jr., solidificando ainda mais os poderosos desempenhos associados ao filme.

Para além da excelente escolha dos intérpretes, a produção sonora de Ludwig Göransson merece também um destaque. Conhecido por ter participado na composição sonora de “Rocky” e “Black Panther”, o compositor brilha agora em “Oppenheimer” com a banda sonora que demorou apenas cinco dias para ser produzida, mas que, ainda assim, não deixa de ser ideal e inquietante, combinando com as emoções expressas pelo filme.

A decisão de Christopher Nolan de levar a história de J. Robert Oppenheimer para o grande ecrã beneficiou tanto os entusiastas de cinema como os apaixonados por história. Com o talento excecional do realizador para contar histórias e criar espetáculos visuais, juntamente com a natureza inerentemente atraente da vida de Oppenheimer, obtemos um filme que explora as profundezas da moralidade humana e as consequências da descoberta científica, filme este que ultrapassou todas as pesadas expectativas que lhe eram atribuídas.

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