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Hoje todos reconhecem a palavra empreendedorismo

Ganhou força e significado nos últimos anos, nomeadamente, depois da crise financeira mundial de 2008, que levou Portugal à bancarrota e, consequentemente, à intervenção da Troika.

E ser empreendedor num país como o nosso é sem dúvida fácil e motivador.

Para vos mostrar do que falo, desafio-vos a vós, caros leitores, a viajarem um pouco comigo.

O empreendedor é alguém que tem uma ideia.

Então, não raras vezes, estes indivíduos apresentam a sua fabulosa ideia aos amigos como forma de perceberem a aceitação do seu projeto. E aqui começa o que esta história tem de melhor.

Ainda na fase em que o empreendedor está a pensar na ideia, e decide partilhá-la, ele receberá reforços motivacionais por parte dos mais próximos, tais como:

– Não te metas nisso.

– Tenho um amigo empreendedor e aquilo não deu em nada.

– Vais-te fartar de trabalhar e não tiras lucro nenhum.

– Vais ser um escravo de ti próprio.

– O mercado está saturado.

– Se trabalhares por conta de outrem não te chateias.

– Ainda te vais enterrar em dívidas.

– Vais ficar pior do que estás.

Entre muitas outras pérolas do discurso motivacional.

Caso o empreendedor seja mesmo dos resilientes, o negócio até pode seguir em frente, apesar de todas as burocracias, constrangimentos e impostos que o Estado irá cobrar para que o empreendedor possa garantir o seu (in)sucesso!

Se a coisa correr bem, fantástico! O empreendedor segue a sua vida com sucesso e ouvirá dos amigos coisas como:

– Aquele teve sorte.

– Nasceu com o rabo virado para a Lua.

– Sempre o apoiei.

– De certeza que teve muitas ajudas.

– Com um negócio daqueles também eu.

E por aí fora.

Todavia, existirão aqueles cuja iniciativa empreendedora sairá frustrada.

Esses terão de voltar a tentar enquadrar-se, legitimamente, no mercado de trabalho.

Chegados às empresas, os ex-empreendedores poderão mentir ou dizer a verdade e ainda assim nunca saberão qual é a melhor solução.

Se não assumirem que arriscaram, a entidade empregadora não compreenderá o vazio (de meses ou até de anos) no currículo desses mesmos indivíduos pelo que os julgará como preguiçosos que durante aquele (curto, médio ou longo) período não trabalharam e como tal não serão uma contratação a ter em conta.

Se o empreendedor assumir que teve um negócio e que o mesmo correu mal, então, a postura de muitos empregadores passará por olhar para o candidato como um falhado, um fracassado e, já que ele está na mó de baixo a bater à sua porta, vai tentar aproveitar-se de algum do seu desespero e oferecer-lhe as piores condições salariais possíveis.

As empresas querem empreendedores, o Estado quer empreendedores. Todos nós gostamos de empreendedores.

No entanto, vivemos cortando-lhes sonhos, desmotivando-os, humilhando-os!

Confesso-vos que tenho algumas ideias “brilhantes” e sonhava ser empreendedor.

Falei abertamente sobre o tema com alguns familiares e amigos e decidi que o melhor mesmo é não me meter nisso!

Balthasar Sete-Sóis

Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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