O futuro dos nossos filhos

Não são poucos aqueles que querem adivinhar o futuro, talvez os mais famosos para nós sejam o Nostradamus e o Bandarra, mas a verdade é que, com os dados da atualidade e os do passado – e a ciência História tem a função de nos conceder aprendizagem com o passar dos tempos – podemos, à partida, perceber algumas coisas com que a próxima geração de trabalhadores, e ainda a nossa, se vai deparar.

O assunto do momento é a Inteligência Artificial – e lendo meia dúzia de artigos verificamos não só profissões em risco de desaparecer, como outras que poderão dar uma volta de 360º. É inevitável que quem queira ter sucesso no futuro do mercado de trabalho vai ter de ter uma grande capacidade de adaptação, resiliência e aprendizagem constante. Por outro lado, perspectiva-se que os ativos sem emprego aumentem: situações em que as pessoas podem estar temporariamente ou até em permanência. A situação para quem quer ser ativo, útil à sociedade é também um desafio. Talvez a produtividade deixe de se medir só em lucros financeiros e se reconheça outras situações em que as pessoas são produtiva e úteis – o grande exemplo, nos dias de hoje, são sem dúvida as domésticas e os cuidadores informais.

Enquanto mãe e inevitavelmente enquanto professora, preocupa-me a preparação dos mais novos para estes cenários. A minha crença é de que a escola – o ensino, os estudos – são essenciais na formação e preparação dos jovens para este, ou qualquer outro cenário futuro. apesar de se criticar muito o ensino e os currículos, e apesar de poder haver lugar a melhorias – há sempre- o problema está na valorização que a sociedade atual não dá à escola. A escola ainda prepara os alunos para a a vida, se eles estiverem disponíveis a isso, e não apenas a debitar matéria decorada nos exames que depressa esquecem.

A escola, já antes do 25 de abril de 1974, mas, sobretudo, nos anos a seguir, foi essencial para a mobilização social e melhoria de vida de muitos jovens. Hoje considera-se que a escola não fornece mobilidade social, e os jovens sonham em ser futebolistas e social influencers, mas continua a acontecer, e sobretudo permite que não haja queda social. No futuro, o nosso percurso escolar será essencial para a permanência dos indivíduos no mercado de trabalho, mas também lhes dará ferramentas para se encontrarem a si próprios caso o seu lugar não seja imediato e permanente.

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