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Faz de conta que sou feliz

Deu um jeito no cabelo e colocou o batom. Estava bonita. Ensaiou um sorriso antes de sair porta fora. Quando colocar os pés fora de casa, será capaz de “enganar” o mundo. Foi disso que ela se convenceu.

Ninguém repara nos tormentos que lhe vão na alma, ninguém imagina a dor que lhe trespassa o peito. Aprendeu a dar o melhor de si aos outros e isso implicou fechar-se na sua bolha. Ela acha que ninguém precisa saber tanto quanto ela e aprendeu a conviver com as suas dores, fingindo sorrisos ao mesmo tempo que a sua mente grita. Ensinaram-lhe que o riso é a melhor das armas. Ou ela aprendeu sozinha, já nem sabe. No entanto, a verdade é que se escapou por entre os intervalos da chuva e, aprendeu a viver anestesiada num conflito interior que ainda não tratou.

Esta forma que ela encontrou de viver, evita que as pessoas façam demasiadas perguntas, que lhe prestem atenção. Evita expor-se e ter de dar explicações. Quer ser lembrada como alguém “feliz”, que enchia uma casa, que tinha sempre motivos para sorrir. Engana-se a ela própria todos os dias. Ou não, porque ela tem consciência disso.

Vive num misto de angústia entre ser quem é, ou luta para ser, as marcas que a vida lhe deixou e não se desviar nunca do que acredita ser verdade. Vive quase como espectadora da própria vida, lutando todos os dias com os seus demónios. Medos vários, traumas que carregou nas costas, guerras com o seu coração. Vive no limbo da razão e não sabe equilibrar as suas emoções. Ninguém lhe disse como fazer, mas aprendeu a disfarçar. Habituou-se a chorar atrás de portas fechadas, a ensaiar sorrisos, estendeu a mão aos outros, tantas e tantas vezes e esqueceu-se de se ajudar a si própria.

Ela ainda não sabe, mas precisa de ajuda. Precisa também que lhe estendam a mão. Precisa enfrentar a tempestade, precisa deixar de se esconder. Ou se calhar sabe. Mas ainda não se sente capaz.

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