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Nós, humanos, temos memória de peixe

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Acho que os seres humanos, na generalidade, temos duas particularidades que por si só são uma mistura explosiva: somos atraídos para a tragédia, para o que de mais negro pode ser criado ou vivido, mas ao mesmo tempo temos memória curta.

Por outras palavras, e de forma simplificada recorrendo à gíria: Fazemos porcaria, esquecemo-nos que fizemos porcaria, e voltamos a fazer porcaria.

Este padrão meio doentio, meio fascinante (numa perspetiva de curiosidade em perceber como o cérebro humano funciona, claro) leva-nos, enquanto humanidade, a estar constantemente a repetir os mesmos padrões. Já percebemos que a violência não nos leva a lado nenhum, que as guerras apenas servem para destruir vidas, e que nunca existe um resultado positivo de intervenções bélicas. Mas por alguma razão na nossa história enquanto espécie e enquanto sociedade, de tempos a tempos surge um conflito de grandes dimensões que acaba por trazer tudo menos benefícios.

Nós aprendemos sobre estas guerras sangrentas na escola, falam delas nas notícias, exploramo-las em filmes e livros que incentivam o nosso imaginário a criar essas situações na nossa cabeça. E ainda bem que isto acontece!

Porque nós temos memória de peixe. Nós esquecemos com facilidade aquilo que de negativo acontece e tendemos a não retirar lições das negatividades extremas. E o que acontece depois? Repetimos padrões. E, acredito, é por isso mesmo que ainda nos dias de hoje, ouvimos com frequência noticias sobre conflitos armados em vários pontos do nosso planeta.

Mas essa informação, só por si, é uma benesse e um problema. É uma benesse porque nos permite estar constantemente a refrescar a memória sobre aquilo que NÃO queremos que aconteça. É um problema porque, enquanto humanos, também somos um pouco egoístas e, apesar de por vezes sentirmos empatia com aqueles povos que sofrem da crueldade extrema humana, sentimos também alívio por não sermos nós.

Cabe-nos a nós por a mão na consciência. Enquanto indivíduos não podemos fazer muito, mas enquanto sociedade todos temos um papel de evitar que estes cenários se repitam.

Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

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Patrícia Marques
Patrícia, 27 anos, doutoranda em Saúde Pública. Eterna apaixonada pela escrita, por gatos, pela cultura asiática e por boa comida! Gosta de mandar umas piadas, mesmo quando fala assuntos sérios e está sempre pronta a aprender coisas novas! (E não faz ideia porque escreveu esta introdução na terceira pessoa... mas isso é outra história!)

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